Pares Literários: Cumplicidades além das sombras no mundo das letras (parte I)

Muitas escritoras são só recordadas como companheiras de homens de letras, deixando os seus escritos no esquecimento ou pouco lidos e estudados. Apesar da barreira à consagração, percebe-se que muitas mulheres não foram meras parceiras, mas reuniram também funções diversificadas na área literária.

ESCRITA(S) NO FEMININO, por Ana Paula Santos, Licenciada em Humanidades (Universidade Aberta), Mestranda em Estudos de Língua Portuguesa (Universidade Aberta), Projecto Senhoras das Letras (Instagram e Facebook)

A fashionable couple, c. 1850 (Rebecca Solomon).

Fonte: Wikimedia Commons.

Muitas escritoras são apenas recordadas enquanto companheiras de homens de letras, deixando os seus escritos na sombra do esquecimento ou pouco lidos e estudados. No entanto, apesar da barreira à consagração autoral, percebe-se que muitas mulheres não foram meras parceiras de escritores de renome, reunindo também funções diversificadas na área literária.

Parte I:

Ana Plácido e Camilo Castelo Branco

Mariana Angélica de Andrade e Cândido de Figueiredo

Introdução

A rubrica Escrita(s) no Feminino procura, acima de tudo, manter o foco na participação de mulheres na História da Literatura Portuguesa, colocando-as num caminho paralelo ao do Cânone Literário. O objectivo tem sido claro: permitir um olhar atento e direcionado a mulheres de palavras valorosas, reconhecendo, em simultâneo, quer a diversidade, quer a pertinência da sua produção, tendo em vista o equilíbrio de vozes no mundo das letras.

Percebemos que a maioria destas Senhoras das Letras não chegou até nós através das obras que escreveram; os seus nomes permaneceram – ou permanecem – associados aos homens com quem partilharam a vida, sobretudo quando esses homens ocuparam um lugar de destaque no domínio intelectual. Neste âmbito, muitas autoras são ainda recordadas como apêndice na vida dos companheiros, enquanto os seus escritos originais permanecem na sombra do esquecimento ou continuam pouco lidos e estudados. No entanto, apesar da barreira à consagração autoral, percebe-se que muitas não foram meras parceiras de escritores de renome, reunindo distintas funções em simultâneo; para além de esposas e companheiras, foram mães, educadoras, escritoras, leitoras, revisoras, jornalistas, tradutoras e, no fundo, participantes activas na vida quotidiana do seu tempo. Assim, podemos indagar, com alguma legitimidade, de que forma a relação entre homens e mulheres de letras significou também uma partilha de leituras, ideias e projectos dada a circulação nos mesmos espaços sócio-culturais e, por vezes, a existência de colaborações públicas, concretizando uma assumida cumplicidade literária.

De Ana Plácido a Fernanda de Castro, passando por Mariana Angélica de Andrade e Ana de Castro Osório, teremos oportunidade de acompanhar, em duas partes, quatro exemplos de escritoras cujas vidas se cruzaram intimamente com homens também ligados ao universo das letras. No entanto, encontramos estas autoras com destinos diferentes: algumas ficaram practicamente reduzidas à relação conjugal; outras foram progressivamente afastadas da memória literária; e houve ainda quem acabasse por alcançar uma permanência histórica superior à do marido – nesta primeira parte, a reflexão destina-se aos pares literários Ana Plácido/Camilo Castelo Branco e Mariana Angélica de Andrade/Cândido de Figueiredo.

Falar destas relações não significa contar histórias de casais com o mesmo ofício. Significa, acima de tudo, regressar a vozes femininas que foram colocadas de parte, procurando compreender as cumplicidades que se estabeleceram entre a vida e a escrita, e recordando que, embora tenham vivido à sombra dos homens de letras, estas mulheres não foram – e não deverão continuar a ser – sombras no mundo das letras.

Ana Plácido e Camilo Castelo Branco

O amor tumultuoso, o processo por adultério e o período de prisão dos dois apaixonados contribuíram para transformar o caso de Ana Augusta Vieira Plácido (1831-1895) com Camilo Castelo Branco numa das histórias mais famosas do século XIX português.

Fotografia de Ana Plácido.

Fonte: Wikimedia Commons.

A narrativa biográfica acabou por produzir um efeito algo previsível: Camilo permaneceu no centro da História da Literatura, enquanto Ana tem sido frequentemente recordada como simples companheira (e mulher adúltera): “Ana Plácido viu-se esmagada pela própria experiência romanesca. O seu nome não se autonomizou. Permaneceu sempre associado ao de Camilo. Ana Plácido encarnou sempre o papel de protagonista de uma bela história de paixão e amor (Cabral 20)”.

Ana Plácido possuía, de facto, um dom para as palavras: espelho dos seus sentimentos, anseios, fragilidades e inquietações, escrevendo naturalmente a partir das circunstâncias que marcaram a vida do casal, mas não só, já que “o acto de escrever assume a importância da consumação de um gesto corajoso e, simultaneamente, a escrita é também a consumação do Amor” (Cabral 21). Camilo foi um grande apoiante da sua carreira literária, numa fase inicial, mas ela foi também parceira no ofício da escrita, fundamental para o desenvolvimento do trabalho do escritor, quer fornecendo apoio de ordem práctica – transcrição e revisão de textos –, quer servindo de inspiração para a criação de algumas personagens camilianas (Silva, Ana Plácido 45-46).

A experiência do cárcere encontrou expressão literária em ambos: Camilo publicou Memórias do Cárcere, em 1862, e Ana reuniu, no ano seguinte, em Luz Coada por Ferros, textos que foram marcados pelo período de clausura. É inegável que nos encontramos perante uma expressiva cumplicidade do casal, cumplicidade essa transversal à vida conjunta e à criação literária individual. No entanto, não se pretende procurar influências de um sobre o outro, mas reconhecer, acima de tudo, que dois escritores viveram uma experiência comum e a transformaram, de forma singular. A diferença reside talvez na forma como a posteridade leu estas obras; enquanto o título de Camilo se integrou no vasto conjunto da sua produção, os de Ana Plácido – em quantidade reduzida – foram lidos como documentos da sua vida e, consequentemente, da sua relação amorosa.

Excerto de Luz Coada por Ferros, pág. 98 (versão digital).

Fonte: Google Books.

Assiste-se, portanto, a uma tendência de teor biográfico que privilegiou a figura da mulher apaixonada em detrimento da mulher escritora, criativa e, no fundo, a aguardar pela validação da sua obra. No entanto, Luz Coada por Ferros não constitui apenas o testemunho de uma mulher encarcerada. A obra revela, em simultâneo, uma autora atenta à experiência e vivência femininas, às convenções sociais e às consequências do amor, do casamento e da transgressão, reflexões tornadas possíveis a partir do isolamento, que permitiu a Ana reflectir sobre si mesma: “a escrita foi-lhe, nessa fase, a razão da sua existência” e “o grito de revolta” que fez a autora/mulher encontrar o seu espaço individual, mas também o seu espaço no mundo (Cabral 22).

Excerto de Luz Coada por Ferros, pág. 106 (versão digital).

Fonte: Google Books.

No capítulo “Meditações”, a autora refere que “o coração da mulher é um sanctuário esplêndido que não se devassa; mas que ela faculta com evangélica caridade, esquecendo a sua própria dor”[1] (Plácido, Luz Coada 66). Menciona, ainda, mulheres relevantes da História da Literatura, valorizando as capacidades das francesas Madame Stäel e George Sand, mas deixando o caminho (e o espírito) aberto para as mulheres da sua geração:

Sei que não podemos aspirar a um nome distincto como o de Madame Stäel ou George Sand. A estas dotou-as a subtileza do engenho, a grandeza do génio, a vivacidade suprema que não possuímos desde que a Marquesa de Alorna e Catarina Balsemão passaram sem herdeiras. Não demos ao homem a fácil victória da nossa inércia. Entremos desassombradas nesse trilho em que os mesmos espinhos nos fazem esquecer outras dores[2] (Plácido, Luz Coada 91-92).

Em Herança de Lágrimas – romance publicado em 1871, sob o pseudónimo masculino Lopo de Souza[3], ocultando, porventura, a polémica construída em torno da sua reputação –, Ana regressaria a alguns dos dilemas e preocupações anteriores, construindo personagens femininas divididas entre as expectativas sociais e a busca pela realização sentimental, num difícil equilíbrio entre o coração e a razão, entre o prazer e o dever, e entre a vontade pessoal e a convenção social.

Excerto de Herança de Lágrimas, pp. 9-10 (versão digital).

Fonte: Biblioteca Nacional de Portugal.

Excerto de Herança de Lágrimas, pág. 16 (versão digital).

Fonte: Biblioteca Nacional de Portugal.

Frontispício de Herança de Lágrimas, 1871 (versão digital).

Fonte: Biblioteca Nacional de Portugal.

Recuperar Ana Plácido, enquanto autora, não implica um afastamento da história que partilhou com Camilo, mas uma recusa de que esta história é o único acesso à sua voz literária. A proximidade entre Ana e Camilo não se limitou à experiência tumultuosa que partilharam e que a posteridade transformou numa das histórias de “amor de perdição” da época, pois ambos escreveram sobre alguns dos temas que a experiência tornara urgentes: o amor, o casamento, o desejo, o adultério e a própria circunstância feminina. Não obstante, a existência de temáticas comuns não significou a existência de uma perspectiva única; nas páginas de Ana Plácido, as mulheres surgem confrontadas com os limites impostos pelo casamento e pelos rígidos desígnios da esfera social. As personagens placidianas vivem entre o dever e o desejo, entre a expectativa de cumprir um papel social e a procura de uma realização sentimental que lhes é repetidamente negada.

Motivada pelo companheiro e usufruindo da mesma rede de contactos, a autora colaborou, ainda, em diversos periódicos como O Ateneu, O Nacional, A Esperança ou O Civilizador, entre outros, alternando a assinatura dos seus textos entre A.A., Ana Augusta, Ana Augusta Plácido, Gastão Vidal de Negreiros ou Viscondessa de Corrêa Botelho (neste último caso, no Diário Ilustrado, em 1888). Para além da prosa (romance, novelas, contos, drama), escreveu poesia e artigos de crítica literária, e realizou traduções. Por fim, deixou-nos algumas cartas e telegramas, documentos que são essenciais para a compreensão da sua alma. Com o passar do tempo, a escrita deixou de ocupar tanto os seus dias, dedicando-se mais à casa, aos filhos e ao próprio Camilo que já revelava um estado de debilidade e doença avançados.

Apesar de nos ter deixado uma obra breve e inacabada – no periódico Gazeta Literária do Porto, encontramos incompleta a narrativa Regina –, percebemos o quanto a voz de Ana Plácido nos conta sobre a experiência feminina, não devendo a sua pegada ser considerada uma extensão da obra camiliana, nem mero reflexo autobiográfico da sua relação com o escritor. Para além da mulher que a memória literária associou ao grande romancista, existiu uma escritora que ainda hoje nos conduz à marca do seu tempo e, acima de tudo, nos concede um acesso directo às mulheres do seu tempo.

Em Portugal, podemos (re)descobrir os textos de Ana Plácido, em edições recentes, através da editora Sibila Publicações[4], e no Brasil, será publicada, em breve, a primeira parte da obra completa da autora, Obras Completas de Ana Plácido – volume I, organizada pelos professores Fabio Mario da Silva e Adriana Mello Guimarães, através da editora Todas as Musas[5].

Mariana Angélica de Andrade e Cândido de Figueiredo

Se os dois elementos do primeiro casal são relativamente bem conhecidos, o mesmo não se pode dizer do segundo casal, pois Mariana Angélica de Andrade (1840-1882) – conhecida carinhosamente como a Poetisa do Sado – ficou practicamente esquecida, enquanto António Cândido de Figueiredo mantém, na atualidade, prestígio e relevo, principalmente no âmbito dos estudos de Língua Portuguesa.

Retrato de Mariana Angélica de Andrade.

Fonte: Murmúrios do Sado, 1870.

No entanto, antes de conhecer Figueiredo, Mariana já escrevia, publicava e participava na vida intelectual do seu tempo, alcançando notoriedade e coleccionando elogios. A sua presença no mundo das letras antecede, portanto, a vida amorosa, tendo colaborado em periódicos como a Voz Feminina, a Gazeta Setubalense, a Grinalda Literária e o Almanaque de Lembranças. Em 1870, publicou Murmúrios do Sado, a sua primeira “colheita” de poesias, dedicada à mulher que a criou desde os quatro anos, na cidade de Setúbal, a madrinha D. Gertrudes Angélica d’Andrade Ligeiro. Este volume poético é intenso e expressivo, revelador da visão de uma mulher que não se limitou à manifestação intimista ou sentimental, na medida em que escreveu também sobre liberdade, injustiça, pobreza e a própria vivência feminina – suas necessidades, desafios e preocupações. No fundo, a autora transformou o processo criativo e de escrita num espaço de reflexão sobre o mundo que a rodeava, incluindo múltiplas indagações e indignações.

Poema “A Mulher”, pp. 35-36.

Fonte: Murmúrios do Sado, 1870.

Excerto do poema “Poesia e Mulher”, p. 52.

Fonte: Murmúrios do Sado, 1870.

É precisamente em Murmúrios do Sado que encontramos, de forma pública, o primeiro ponto de contacto com Cândido de Figueiredo, já que o livro conta com um proémio do escritor. Nele afirma que:

Os Murmúrios do Sado são a história da poetisa, são a tradução completa dos sentimentos mais íntimos da autora, das suas aspirações, das suas crenças, das suas tristezas, das suas alegrias, dos seus desalentos: são as capelas de flores, que as virgens varsovianas arremessam à corrente por se libertarem de ruins cuidados.

(…)

Eu não posso deixar de votar a este livro a minha simpatia porque me parece que entendo um pouco do muito que o coração deixou espalhado por essas páginas (Figueiredo, Murmúrios do Sado 2-4).

Nesta fase, ambos trocavam correspondência e Mariana tinha valorizado bastante o primeiro volume de poesias de Figueiredo, dispondo-se a enviar uma soma mensal para a cobertura das suas despesas académicas. O próprio descreve, em Os Meus Serões[6]: “Mariana Angélica de Andrade, que conhecia e apreciava versos meus, (…) conseguiu fazer transmitir ao negociante Macedo a ordem de me pagar aquele subsídio mensal” (Figueiredo, Serões 142).

Quando pude verificar a procedência da mesada, cumpri o dever de significar os meus agradecimentos à poetisa setubalense, que supunha que eu era padre e que desinteressada e ocultamente resolvera acorrer em meu auxílio.

(…)

Expliquei-lhe o equívoco: que não era padre nem tencionava sê-lo, embora tivesse recebido uma Ordem eclesiástica, que me embaraçaria um pouco no decurso da minha vida civil.

Continuámos trocando impressões e confidências; e, embora nunca nos tivéssemos visto, avigorou-se entre nós a mais verdadeira simpatia recíproca[7] (Figueiredo, Serões 142).

Em 1874, os dois casaram-se e passaram a viver em Lisboa. Nos três anos seguintes, nasceram Rosalinda e Corina, tornando o mundo de Mariana pleno e feliz. A literatura não foi, portanto, uma circunstância exterior à relação: esteve presente antes da vida em comum. Cândido não descobriu uma mulher fora do mundo das letras; Mariana já possuía uma voz e uma presença próprias naquela esfera.

Mensagem de António Feliciano Castilho, aquando da publicação de Murmúrios do Sado, pp. 56-57 (versão digital).

Fonte: Quatorze de Novembro, 1883 – Biblioteca Nacional de Portugal.

A morte de Mariana, em 1882, com apenas 42 anos – vítima de tuberculose pulmonar –, interrompeu um percurso que se revelara promissor. A autora deixava publicado Murmúrios do Sado e o segundo volume de poesias, Revérberos do Poente, encontrava-se no prelo, sendo publicado postumamente, em 1883. A comédia As Esporas do Alferes, apresentada em Setúbal, em 1870, foi também publicada postumamente, assim como Rimas Selectas.

Em vida, Mariana teve oportunidade de usufruir do reconhecimento que o primeiro livro de poesias lhe proporcionou, assim como dos louvores resultantes de textos que circulavam na imprensa, da sua autoria, tais como artigos, críticas e outros, nomeadamente em relação à necessidade da educação da mulher – matéria de que se ocupou veementemente. A autora foi deveras reconhecida pelos seus contemporâneos, entre eles homens ilustres como António Feliciano Castilho, Gonçalves Crespo, Gomes de Amorim e Camilo Castelo Branco. A sua morte suscitou várias mensagens públicas, tal como podemos perceber a partir da publicação comemorativa do primeiro ano da sua morte, da autoria de Figueiredo, Quatorze de Novembro, dedicada às filhas do casal, e que congrega a descrição do dia fatídico, as notícias publicadas nos jornais e as homenagens, por parte de vários escritores.

Excerto de notícia publicada pela Gazeta Setubalense, pág. 11 (versão digital).

Fonte: Quatorze de Novembro, 1883 – Biblioteca Nacional de Portugal.

Apesar das merecidas consagrações, o nome de Mariana acabaria por ser relegado para um lugar de esquecimento. Hoje, Cândido de Figueiredo continua a ser reconhecido pelo seu trabalho como homem de letras, indispensável na área da Lexicografia, mas Mariana permanece nas sombras, sendo, sem dúvida, uma autora que urge resgatar. Talvez a cumplicidade literária tenha começado precisamente pelo reconhecimento de uma paixão comum: antes de serem marido e mulher, eram duas pessoas com o mesmo entusiasmo pelas letras, com vozes próprias e uma carreira singular pela frente.

Excerto do poema “O que é o Amor”, pp. 81-84 (versão digital).

Fonte: Revérberos do Poente, 1883 – Google Books.

Regressar, na actualidade, a Mariana Angélica de Andrade implica recuperar um nome que já se ocultou no véu do tempo. Antes de ser a esposa de Figueiredo, Mariana já era autora de uma obra merecedora de estima e louvor, que o tempo não deveria ter silenciado e que importa voltar a divulgar e a estudar. Em 2022, o Projecto Adamastor procedeu à publicação digital de Murmúrios do Sado (disponível nos formatos EPUB, MOBI e KOBO em https://projectoadamastor.org/murmurios-do-sado-mariana-angelica-de-andrade/ ), permitindo-nos usufruir do mesmo, de forma fácil e gratuita.

Nota final da parte I

A nossa “viagem” pelos pares literários seleccionados ainda não foi concluída. Na segunda parte do artigo, iremos ocupar-nos de Ana de Castro Osório/Paulino de Oliveira e Fernanda de Castro/António Ferro: outros contextos, outras vivências e outras possibilidades de cumplicidade em nome do amor às letras e rumo ao desenvolvimento pessoal.

A rubrica Escrita(s) no Feminino pretende, acima de tudo, aproximar leitores a leituras à margem do Cânone, lançando, desde logo, um desafio a cada receptor: que confirme por si a pertinência de inúmeras vozes silenciadas, ao longo dos tempos, ainda que, na época, as mulheres em análise tenham sido alvo de admiração e elevação.

Recursos bibliográficos

Andrade, Mariana Angélica de. Murmúrios do Sado. Setúbal: Tipografia José Augusto Rocha, 1870

Andrade, Mariana Angélica. Revérberos do Poente. Porto: Joaquim Antunes Leitão, 1883 (edição póstuma)

Cabral, Fernanda Damas. Ana Plácido. Lisboa: Editorial Caminho, 1991

Figueiredo, Cândido. Os Meus Serões. Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1928 (edição póstuma)

Plácido, Ana. Luz Coada por Ferros: Escriptos Originaes. Livraria de A. M. Pereira, 1863

Plácido, Ana. Herança de Lágrimas. Guimarães: Redacção Vimaranense, 1871

Silva, Fabio Mario da. Ana Plácido e as Representações do Feminino no Século XIX. Uberlândia, MG: Tavares & Tavares, 2022

Silva, Fabio Mario da. “Um esboço do percurso literário de Ana Plácido” in Olho d’Água, São José do Rio Preto, v. 15, nº 1, Jan.-Jun. 2023, pp. 197-217

Vilar, Anita. Mariana Angélica de Andrade, a Poetisa do Sado. Setúbal: Centro de Estudos Bocageanos, 2009

  1. Actualizado segundo o AO 1945. ↑
  2. Actualizado segundo o AO 1945. ↑
  3. Para além deste pseudónimo, a autora tinha recorrido a outro, também masculino: Gastão Vidal de Negreiros, em 1868. ↑
  4. Vide https://www.sibila.pt/livros/luz_coada_por_ferros.html e https://www.sibila.pt/livros/heranca_de_lagrimas.html . ↑
  5. Vide https://www.instagram.com/p/DadGxDAluKD/ . ↑
  6. Volume autobiográfico, publicado postumamente. ↑
  7. Actualizado segundo o AO 1945. ↑

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