Rubrica de Sofia A. Carvalho. Em Contribuições para a Óptica (1791), Goethe considera que “o prisma só dá a ver as cores no ponto em que a luz e a sombra se combinam horizontalmente, segundo uma gramática labiríntica”. O ponto de cruzamento dessa gramática ficou conhecida por skieron: a polaridade híbrida entre sombra e luz. Se para Goethe a arquitectura é música petrificada, e se entendermos o som como a arquitectura da gramática e a imagem como um traço ritmado entre luz e sombra, esta crónica nasce do jogo entre intensidades, atracções e choques que concede saliência aos traços e às formas de duas gramáticas labirínticas: a música e o cinema.
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