Crónicas sobre o tempo, relojoaria, e curiosidades relacionadas, do nosso colaborador Nuno Lopes Margalha, psicólogo e fundador do Instituto Português de Relojoaria (www.institutoportuguesderelojoaria.pt).
Há histórias que parecem retiradas de um romance. Esta é uma delas. Durante cerca de um ano, um pequeno grupo entrou regularmente no Panteão de Paris, com ferramentas, peças e materiais, até conseguir restaurar um relógio monumental imóvel há décadas. Fizeram-no sem autorização, sem financiamento e sem procurar reconhecimento público.
O conceito de “marca portuguesa” está longe de ser linear. Quando observamos um relógio com um nome português no mostrador, o que estamos verdadeiramente a ver? Um produto concebido em Portugal? Um objecto fabricado cá? Uma marca registada em território nacional? Ou apenas uma ideia portuguesa produzida no estrangeiro?
Formam-se filas durante a noite para comprar um relógio de plástico. Listas de espera prolongam-se durante anos para adquirir um desportivo em aço. Milhares de pessoas, em cidades diferentes e culturas distintas, acabam por desejar exactamente o mesmo objecto. Quem decide isto?
A teimosia em relojoaria não é uma característica discreta. Vamos conhecer a mecânica desta teimosia, como contribui e conhecer as funções dos seus expoentes: o pessimismo e o optimismo. Longe de ser mero capricho, constitui muitas vezes o motor silencioso do progresso relojoeiro.
Embora Stranger Things não seja uma obra sobre relojoaria ou ciência do tempo no sentido técnico, o tempo ocupa um papel estrutural na narrativa. Aqui revemos algumas das peças que despontam na série.
Uma caixa de relógios vazia está cheia de possibilidades. Uma caixa de relógios cheia é o sinal claro de que precisamos de uma vazia. De caixa em caixa avançamos, empurrados pelo desejo e puxados pelo acaso. Tornamo-nos coleccionadores e, nesse processo, construímos um estilo pessoal. Num exercício assumidamente teórico, procurámos isolar alguns dos perfis mais recorrentes, como quem escolhe os instrumentos de uma composição musical.
Damos a conhecer três relógios oferecidos em circunstâncias extraordinárias, que se tornaram parte da história pelos melhores motivos. São histórias da relojoaria e dos seus protagonistas que nos fazem admirar as peças não pela utilidade, mas pelo significado e memória que encerram.
Alguns tesouros descobertos nas edições da feira de relojoaria vintage Tempo Passado: peças que o tempo filtrou com rigor, relógios que conquistaram a admiração de todos, exemplos que continuam a brilhar na memória dos coleccionadores.
Os relógios atómicos são as máquinas mais precisas já criadas. Do protótipo de amónia ao estrôncio aprisionado em redes ópticas, marcaram a transição da observação dos astros para a física quântica. Hoje regulam o GPS, sincronizam a banca e testam a relatividade. Com histórias curiosas: um protótipo com um relógio de parede em cima, satélites “falhados” que confirmaram teorias, e cientistas que redefiniram o próprio segundo.
A história do encontro entre o Ocidente e o Japão no século XVI está cheia de episódios fascinantes. Um desses momentos ocorreu em 1551, quando o missionário jesuíta São Francisco Xavier ofereceu ao poderoso daimiô Ōtomo Sōrin um relógio mecânico europeu — acto carregado de simbolismo, estratégia e inovação tecnológica.
Sobre a padronização do tempo. A realidade nasce nas nossas mãos. Se temos dúvidas sobre a existência de algo, esticamos o indicador e tocamos-lhe. A conclusão da experiência fica por sua conta. As nossas mãos parecem, desta forma, ser o berço da realidade. Será mesmo assim?
Hoje em dia, temos como certa a alteração da hora no último domingo de Março e de Outubro. Esta norma comum em toda a União Europeia nem sempre foi consensual ou linear. A mudança da hora tem raízes históricas profundas e está intimamente ligada à evolução da medição do tempo, à relojoaria e aos ritmos sociais e económicos das últimas gerações.
Vivemos num mundo onde o tempo é uniformemente medido, com cada hora a representar o mesmo intervalo. Nem sempre foi assim: Durante um período significativo da história, o tempo era ajustado às variações naturais do dia e da noite. Este sistema das horas temporais dividia o dia em 12 partes de luz e 12 partes de escuridão, cuja duração variava ao longo do ano, refletindo o ciclo das estações e respeitando os ritmos da natureza.
O dia mais curto do ano no Hemisfério Norte ocorre durante o solstício de Dezembro, um fenómeno astronómico que acontece entre os dias 20 e 22 de Dezembro, conforme o calendário gregoriano.
Filmes natalícios nos quais o tempo não surge apenas como algo que se mede e se observa, mas como um elemento central, representado por relógios que marcam momentos decisivos ou transmitem mensagens profundas sobre o sentido da vida.