
Dado que a nossa postura editorial trata os nossos leitores como pessoas inteligentes e maduras, ao contrário de muita imprensa comum e até de alguma especializada, cada vez mais é correcto dizermos que somos uma “revista para adultos”. Para adultos que pensam, que têm um espírito crítico ativo, que não se deixam fechar em visões polarizantes e binomiais de qualquer assunto que seja, adultos que se revêem perfeitamente no espírito pluralmente universitário que encarnamos, pois acreditamos que as universidades são de facto lugares para adultos e não para crianças. Aproveitámos a data especial do passado 25 de Abril, que para nós é também um dia como todos os outros, para notar e lembrar isso. É nesse espírito que continuaremos a falar de todo e qualquer tipo de tópico com massa crítica proficiente, importando-nos maioritariamente as reacções dos adultos e não as das crianças. Continuaremos a falar de idade média, presunção de inocência, assassinos e criminosos, raças e culturas, marxismo e capitalismo, activismo e “activismo“, vegetarianismo e religião, assédio e romance, identidade e dissolução da identidade, o “paradoxo da tolerância“, mudança de género, mudança de sexo e mudança de orientação sexual, Portugal e a Europa, modelos democráticos, escravatura, colonialismo e desenvolvimento, direitos individuais e liberdade de expressão e pensamento, obsessão-compulsão, narcisismo e superioridades morais, ditadores nacionalistas e ditadores comunistas, saúde mental, racismo a sério e racismo a fingir, ignorância e incompetência do trabalho jornalístico, redes sociais, privacidade e cultura. Partilhamos assim três capas das revistas Playboy, Hustler e Gina, respectivamente a revista para cavalheiros, a popular (muito mais “porca”) e a portuguesa. É então com alguma liberdade metafórica que nos assumirmos também como “revista para adultos“ e com muito orgulho em pertencer a essa tradição.
