
Francis Jeffry Pelletier e Ryan M. Nefdt, Linguistic Relativity: An Essential Guide to Past Debates and Future Prospects (Oxford University Press, 2025) retraçam a história da relatividade linguística desde os seus antecedentes em Herder, Humboldt e Boas até à hipótese Sapir-Whorf e às suas reformulações contemporâneas (neo-Whorfianismo). Os autores argumentam, de forma provocatória, que nenhuma das figuras canónicas do século XIX sustentou realmente a tese da relatividade linguística no sentido forte, e reavaliam criticamente a evidência experimental recente, mostrando que as formas «fortes» ou «grandes» da tese permanecem empiricamente elusivas, enquanto as versões mais fracas ou «menores» são quase triviais para quem não é monolingue. O livro liga ainda a questão a debates actuais em linguística generativa, cognição incorporada e inteligência artificial, oferecendo um guia claro e equilibrado para um conceito persistentemente mal compreendido nas ciências humanas e cognitivas.
Peter R. Anstey e David Bronstein (eds.), Definition and Essence from Aristotle to Kant (Routledge, 2025) reúne doze ensaios que examinam a história das teorias da definição e da essência na filosofia ocidental, de Aristóteles a Kant. Os contributos interrogam o que são definições e essências, quais as suas relações lógicas e metafísicas, que tipos de entidades as possuem, que funções desempenham nas ciências físicas, matemáticas e humanas, e de que modo podemos conhecê-las. O volume revela ligações pouco exploradas entre lógica, metafísica, epistemologia, filosofia da linguagem e filosofia natural ao longo dos séculos, permitindo comparar autores e movimentos sob uma luz nova e mostrar a centralidade persistente destes conceitos no pensamento filosófico.
Rivka Weinberg, The Meaning of It All: Ultimate Meaning, Everyday Meaning, Cosmic Meaning, Death, and Time (Oxford University Press, 2026) distingue três modalidades de significado — Ultimate Meaning (o ponto da própria vida), Cosmic Meaning (o nosso lugar no esquema cósmico) e Everyday Meaning (o valor e o impacto das actividades quotidianas) — e argumenta que apenas a terceira é realisticamente alcançável. Weinberg sustenta que o Ultimate Meaning é impossível, que o Cosmic Meaning é provavelmente insignificante (mesmo que Deus exista), e que a morte não torna a vida nem mais nem menos significativa; é o tempo, necessário para a causalidade e a direcção, que simultaneamente possibilita e corrói o significado. O livro propõe uma ética da atenção e da aceitação do sofrimento e da finitude, orientada para maximizar o Everyday Meaning na plenitude do tempo.
Adam Hochman, The Race Illusion: On the Reality of Racialization and the Myth of Race (Oxford University Press, 2025) defende um anti-realismo racial reconstrucionista: não existem raças humanas, apenas grupos racializados — grupos que são erroneamente tomados por raças. Após examinar e rejeitar dez contas biológicas e sete contas sociais da raça, Hochman mostra que a diversidade biológica humana não se distribui de modo a justificar classificações raciais e que nenhuma propriedade social identificável torna um grupo uma «raça». Substituir «raça» por «grupo racializado» e «racialização» é, segundo o autor, tanto a posição teoricamente mais sólida como a mais adequada para combater o racismo.

Peter J. Verovšek, Jürgen Habermas: Public Intellectual and Engaged Critical Theorist (Columbia University Press, 2026) reinterpreta Habermas não apenas como filósofo académico, mas como intelectual público cuja intervenção na esfera pública é indispensável para compreender o seu pensamento. O livro segue cronologicamente as intervenções políticas de Habermas, desde os anos de estudante e o pós-guerra alemão até ao foco crescente, após 1989, no futuro da Europa e na política global, mostrando a consistência entre os escritos académicos e os textos públicos, bem como a evolução das suas posições. Verovšek argumenta que o compromisso político de Habermas é crucial para a sua filosofia e oferece uma reflexão oportuna sobre a defesa da esfera pública num momento em que o debate público se encontra ameaçado.
Daniel H. Frank e Oliver Leaman (eds.), The Cambridge Companion to Medieval Jewish Philosophy (Cambridge University Press, 2003) apresenta, em dezoito ensaios, os principais pensadores judeus medievais (do século IX ao XV) e os contextos filosóficos e não-filosóficos do seu trabalho. Os contributos exploram a influência do kalam islâmico, do neoplatonismo, do aristotelismo (sobretudo em Maimónides), da Cabala e da escolástica cristã, tratando temas como a linguagem sobre Deus, a criação do mundo, a liberdade humana, a providência, a profecia e a relação entre lei divina e lei humana. O volume mostra como a filosofia foi tanto contestada como integrada na compreensão do que significa ser judeu, oferecendo uma introdução abrangente a um período formativo do pensamento judaico.
Fergus Kerr, “Work on Oneself”: Wittgenstein’s Philosophical Psychology (The Institute for the Psychological Sciences Press, 2008) examina a psicologia filosófica de Wittgenstein, com particular atenção às suas últimas conferências em Cambridge sobre o tema e à influência possível do seu background católico. Kerr analisa a reacção de Wittgenstein contra um tipo excessivamente racionalista de apologética católica, o seu interesse pela psicologia experimental e por Freud, e desenvolve o famoso argumento da linguagem privada, rejeitando a ideia de pensamentos em princípio incomunicáveis. O livro discute ainda desenvolvimentos posteriores de John Wisdom, Stanley Cavell e Richard Eldridge, argumentando que o trabalho filosófico, para Wittgenstein, é sobretudo um trabalho sobre si próprio — sobre a própria concepção e o modo como se vêem as coisas.
John Gibson, Fiction and the Weave of Life (Oxford University Press, 2007) enfrenta o problema clássico de como a literatura ficcional pode oferecer compreensão e insight sobre a condição humana, apesar de se ocupar de mundos inventados e não do mundo real. Gibson propõe uma solução original que mostra que o valor cultural e cognitivo da literatura é inseparável da sua ficcionalidade e inventividade: as ficções não nos informam sobre o mundo de modo proposicional directo, mas tecem e revelam padrões de sentido que estruturam a nossa vida e a nossa compreensão dela. O livro dialoga com tradições analíticas e continentais, defendendo que a grandeza da literatura reside precisamente na sua capacidade de inventar e, ao fazê-lo, de iluminar a trama da vida.
