Sugestões de Leitura: Novidades na Filosofia, Setembro 2026

Com a ajuda das preciosíssimas Notre Dame Philosophical Reviews, trazemos as últimas novidades no mercado editorial da filosofia de Setembro de 2026. Eis as típicas oito sugestões que fazemos todos os meses.

Primeiro, Joshua Mugg, From Human Reasoning to Belief: An Empirical Account (Routledge, 2026), examina a relação entre taxonomia e arquitectura cognitiva no raciocínio humano, propondo uma alternativa empírica às teorias de duplo processo e defendendo um voluntarismo da crença segundo o qual o sujeito exerce algum controlo sobre aquilo que acredita. Frances Egan, Deflating Mental Representations (MIT Press, 2025), desenvolve uma teoria deflacionária da representação mental, argumentando que a atribuição de conteúdo é um gloss pragmático justificado pelos interesses explicativos, e não um conteúdo objectivo independente do atribuidor. Tim Mulgan, Philosophy for an Ending World (Oxford University Press, 2024), introduz o experimento mental de um mundo em extinção lenta e explora, a partir de dentro, o sentido da vida, a ética da procriação e as obrigações para com as gerações futuras, defendendo um multigeracionalismo capaz de transformar tradições para que ainda façam sentido no fim da humanidade. Justin Mooney, Phases of Objects (Oxford University Press, 2026), defende o fasalismo, a tese de que os objectos materiais sobrevivem a mudanças de espécie — como a criança que deixa de ser criança sem deixar de existir —, propondo um critério de identidade e uma solução para os puzzles da coincidência material, com consequências para o início e o fim da vida pessoal.

Depois, Jonathan L. Kvanvig, Skepticism and Fallibilism (Oxford University Press, 2025), recusa tanto sucumbir ao cepticismo como descartá-lo, desenvolvendo uma teoria do ideal céptico e um falibilismo aproximacionista segundo o qual o conhecimento nunca é ideal, mas pode estar suficientemente próximo do ideal para existir. Kevin Richardson, The End of Binaries: How Gender and Sexuality Come in Degrees (Oxford University Press, 2025), propõe uma teoria espacial do género e da orientação sexual, argumentando que ambos vêm em graus e se situam num espaço multidimensional, em vez de se reduzirem às categorias binárias habituais. Doil Kim, The Art of Seeing Beyond Oneself: A Confucian Perspective on Humility (Oxford University Press, 2025), reconstrói a humildade confucionista como um auto-rebaixamento relacional que não é auto-anulação, mas um recurso ético para ver para além de si e restaurar a ligação com os outros. Rareş Ilie Marinescu, Proclus on Aristotle on Plato: A Case Study on Motion (Cambridge University Press, 2025), estuda o confronto de Proclo com a crítica aristotélica a Platão a propósito do movimento, recusando a tese de uma harmonia essencial entre Platão e Aristóteles e esclarecendo a recepção de Aristóteles na Antiguidade tardia.

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