Exemplo prático da malvadez de Lenine: uma descrição do financiamento dos bolcheviques

Lenine era um homem tacanho, maquiavélico, violento mas cobardolas, um indivíduo horrível. Eis um exemplo prático desta malvadez, de Richard Pipes, "The Russian Revolution", sobre o financiamento do partido bolchevique. Leiam e desfrutem deste autêntico terrorismo.

“Todas as forças políticas necessitavam de dinheiro, mas a insistência dos bolcheviques em que seus membros dedicassem todo o seu tempo ao partido impunha-lhes exigências económicas excepcionalmente grandes, porque significava que os seus quadros – à diferença dos mencheviques, que se mantinham pelo trabalho autónomo – deviam depender de subsídios entregues pela tesouraria do partido. Lenin também necessitava de dinheiro para ganhar o duelo aos seus rivais mencheviques, que à data tinham mais seguidores. Os bolcheviques obtinham o dito dinheiro de diversas maneiras, algumas convencionalmente, outras de forma muito pouco convencionais. Uma das fontes eram os simpatizantes endinheirados, como o excêntrico industrial milionário Savva Morózov, que encaminhava 2000 rublos ao mês para as finanças bolcheviques. Após o seu suicídio na Ribeira francesa, a esposa de Maxim Gorki, que figurava como testamenteira na política do seguro de vida de Morózov, encaminhava outros 60000 rublos da sua própria herança aos bolcheviques. Haviam outros doadores, entre eles o próprio Gorki; um agrónomo chamado A. I. Yeramasov; Aléxander Tsiurupa, que administrava as finanças da província de Ufa (em 1918 seria comissário dos abastecimentos de Lenin); Alexandra Kalmíkova, viúva de um senador e amiga íntima de Piotr Struve; a atriz Vera F. Komisarzhévskaya e vários outros cuja identidade se desconhece até hoje. Por esnobismo, estes patrocinadores subsidiavam uma causa que era fundamentalmente contrária aos seus interesses: na época, escreve Leonid Krasin, muito chegado a Lenin, `nos círculos mais ou menos radicais ou liberais considerava-se de bom tom dar dinheiro aos partidos revolucionários, e entre os que pagavam regularmente quotas de 5 a 25 rublos haviam não só notáveis advogados, engenheiros e médicos, como também diretores de bancos e funcionários de instituições governamentais´. A administração da tesouraria bolchevique, que era independente da caixa comum socialdemocrata, estava em mãos de um `centro´ constituído em 1905 e composto por três homens: Lenin, Krasin e Alexánder A. Bogdánov. A sua própria existência era ignorada pelas bases bolcheviques. Mas as dádivas dos burgueses arrependidos resultavam ineficientes, e a começos de 1906 os bolcheviques recurreram a métodos menos respeitáveis, que parecem haver-lhes sido inspirados pela Vontade do Povo [movimento terrorista russo] e pelos maximalistas socialistas revolucionários. No desenlace, grande parte dos seus fundos procederam da atividade criminal, em especial roubos, conhecidos sob o eufemismo de `expropriações´. Em incursões violentas, roubavam oficinas de correios, estações ferroviárias, comboios e bancos. Num célebre assalto ao Banco do Estado em Tbilisi (Jun/1907) alçaram-se 250000 rublos, uma boa parte deles em notas de 500 cujos números de série estavam registados. A soma do roubo destinou-se à tesouraria bolchevique. Posteriormente, vários indivíduos que tentaram realizar o câmbio das notas roubadas na Europa foram presos; todos (entre eles o futuro ministro soviético dos Assuntos Externos, Maxim Litvinov) eram bolcheviques. O Partido Socialdemocrata expulsou Stalin das suas fileiras, que havia coordenado a operação, e a alguns outros participantes. Ignorando a resolução dos congressos do partido celebrados em 1907, que condenavam essas atividades, os bolcheviques seguiram a perpetrar roubos, às vezes em colaboração com os socialistas revolucionários. Desta maneira conseguiram acumular grandes somas, que lhes deram uma vantagem considerável sobre os mencheviques, sempre curtos de efetivo. Segundo Mártov, os ingressos obtidos com estes delitos permitiam aos bolcheviques enviar às suas organizações de S. Petersburgo e Moscovo 1000 e 500 rublos ao mês, respetivamente, em um momento em que os ingressos mensais legítimos da tesouraria socialdemocrata não superavam os 100 rublos. Tão pronto como se secou aquele afluxo de fundos, coisa que ocorreu em 1910 quando os bolcheviques tiveram de entregar o dinheiro a três socialdemocratas alemães encarregados de administrá-lo, os seus comitês russos desvaneceram-se no ar. A direção-geral destas operações secretas estava em mãos de Lenin, mas o principal comandante de campo e tesoureiro eram Krasin, chefe do chamado Grupo Técnico. Engenheiro de profissão, levava uma vida dupla; na aparência um respeitável homem de negócios (trabalhava para Morózov, assim como para as empresas alemãs AEG e Siemens-Schuckert – talvez não seja fortuito o facto da Siemens, a empresa electrónica alemã, o empregar. Segundo o chefe da contrainteligência russa em 1917, a firma alemã utilizara as suas filiais com fins de espionagem, o qual motivou o encerramento da sua oficina no sul da Rússia), no seu tempo livre dirigia a clandestinidade bolchevique. Entre as suas tarefas estava a de coordenar um laboratório secreto para fabricar bombas, uma das quais se utilizou no assalto de Tbilisi. Em Berlim também dirigiu uma operação de falsificação de notas de três rublos Envolveu-se no tráfico de armas, às vezes por motivos meramente económicos, a fim de obter dinheiro para a tesouraria bolchevique. Em ocasiões, o Grupo Técnico faziam acordos com delinquentes comuns, por exemplo, com a mal afamada banda Lbov que atuava nos Urais, a quem vendeu armas pelo valor de vários centos de milhares de dólares. Inevitavelmente, estas atividades atraíram às fileiras bolcheviques a elementos penumbrosos que utilizavam a `causa´ como pretexto para levar uma vida criminosa. O chamado caso Schmit mostra até onde estava Lenin disposto a chegar a fim de conseguir dinheiro para a sua organização. Nikolái P. Schmit, um rico fabricante de móveis relacionado como Morózov, morreu em 1906 – aparentemente suicidou-se – enquanto esperava ser julgado por haver financiado a compra de armas utilizadas no levantamento moscovita de Dezembro do ano anterior. Não deixou testamento, mas havia dito a Gorki e outros amigos que queria que a sua fortuna, ao redor de 500000 rublos, se entregasse aos social-democratas. Esta disposição não era válida para a lei porque o partido, ao ser ilegal, não podia ser beneficiário de um legado. O dinheiro, portanto, correspondia ao parente mais próximo, um irmão menor de idade. Dispostos a impedir que o património de Schmit fosse desperdiçado pelos herdeiros ou terminasse na tesouraria social-democrata, os bolcheviques decidiram, em reuniões lideradas por Lenin, a apoderar-se dela por qualquer meio. Não tardou a convencer o irmão adolescente a renunciar à herança em prol das suas duas irmãs. Depois, trataram-se planos para que dois bolcheviques seduzissem as herdeiras e casassem com elas. A mais jovem, também menor de idade, casou-se com brutamontes bolchevique chamado Víctor Taratura, mas para enganar a polícia concertou-se um segundo matrimónio, fictício, com um cidadão respeitável. Os 190000 rublos que a rapariga recebera de raíz da união foram para os fundos bolcheviques em Paris. A outra parte da herança de Schmit, correspondente à irmã mais velha, estava em mãos de seu esposo, outro social-democrata com tendências bolcheviques. Este, sem embargo, decidiu ficar com o dinheiro. A disputa submeteu-se a um tribunal de arbitragem socialista, que só outorgou aos bolcheviques a metade ou um terço da herança. No entanto, sob ameaças de violência física à mulher, esta persuadiu o esposo a entregar o resto da herança a Lenin. Desta maneira, o líder bolchevique conseguiu entre 235000 e 315000 rublos do património de Schmit (…)”

 –  Richard Pipes, “The Russian Revolution”

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