Publicado originalmente em Archives of Sexual Behavior, Volume 54, pages 3941–3945 (2025), disponível em https://link.springer.com/article/10.1007/s10508-025-03348-3. Tradução nossa.
Em todas as espécies anisogâmicas, a existência de dois — e apenas dois — sexos tem sido um dado estabelecido da biologia moderna (Lehtonen et al., 2016; Parker et al., 1972). O termo «macho» designa os organismos cuja função biológica é produzir gâmetas pequenos (espermatozoides), enquanto o termo «fêmea» designa os organismos cuja função biológica é produzir gâmetas grandes (óvulos) (Hilton & Wright, 2023; Minot, 1888; Smith, 1978). Esta nomenclatura reflete duas estratégias reprodutivas divergentes que se repetem numa vasta gama de táxones (Togashi & Cox, 2011). Tal como sucede com o próprio facto da evolução, o debate científico contemporâneo deixou há muito de questionar se a existência de um binário sexual constitui um facto, concentrando-se antes em compreender como evoluiu a anisogamia, por que razão persiste e quais são as suas consequências evolutivas.
Nos últimos anos, contudo, este facto anteriormente incontroverso tem sido posto em causa no discurso público (Fuentes, 2023; Kralick, 2018; Viloria & Nieto, 2020) e, cada vez mais, também em publicações científicas especializadas (Ainsworth, 2015; Fuentes, 2025; McLaughlin et al., 2023; Velocci, 2024), aparentemente impulsionado pelos debates culturais e políticos em torno do conceito de «identidade de género» e dos direitos das pessoas transgénero. Os meios de comunicação publicam hoje, com frequência, artigos que sustentam que existem mais de dois sexos ou que o sexo constitui um «espectro» não binário, concebido quer como um contínuo quer como um conjunto multivariado de características. Diversos artigos científicos reforçaram este enquadramento, caracterizando o binário sexual como excessivamente simplista, ultrapassado e até opressivo, defendendo a sua substituição por modelos mais amplos e alegadamente mais sofisticados (Ainsworth, 2015).
Neste artigo, sintetizo evidência proveniente da biologia evolutiva e do desenvolvimento para demonstrar que o sexo é binário (isto é, existem apenas dois sexos) em todas as espécies anisogâmicas e que machos e fêmeas são universalmente definidos pelo tipo de gâmeta que o seu sistema reprodutor tem a função biológica de produzir — e não pelo cariótipo, pelas características sexuais secundárias ou por quaisquer outros correlatos.
Começo por apresentar uma exposição concisa da reprodução sexuada e da evolução da anisogamia, explicando por que motivo dois tipos diferenciados de gâmetas evoluíram a partir de antepassados isogâmicos e de que forma este dimorfismo funcional fundamenta as categorias «macho» e «fêmea». Em seguida, analiso cinco argumentos recorrentes utilizados para contestar a natureza binária do sexo: (1) a confusão entre «tipos de acasalamento» (mating types) e sexos; (2) a consideração das aneuploidias dos cromossomas sexuais e das variações de cariótipo como sexos adicionais; (3) a reclassificação das diferenças ou perturbações do desenvolvimento sexual como prova de um «espectro sexual» não binário; (4) a redefinição do sexo como uma categoria politética constituída por um conjunto de características; e (5) a proposta de modelos «multinível» que atribuem classificações sexuais não aos organismos individuais, mas apenas a determinadas características. Por fim, descrevo os benefícios científicos e sociais de uma definição clara do conceito de sexo e concluo explicando por que motivo as tentativas de retirar aos gâmetas o seu papel central são inerentemente autodestrutivas, uma vez que todas as formas coerentes de compreender as categorias «macho» e «fêmea» permanecem inteligíveis apenas por referência aos espermatozoides e aos óvulos.
A Base Evolutiva e Biológica do Binário Sexual
O Que É o Sexo e Porque Evoluiu
A reprodução sexuada consiste na formação de um novo organismo através da fusão de gâmetas haploides (singamia) produzidos por meiose (Alberts et al., 2014). Ao recombinar a variação genética através da recombinação e do cruzamento entre indivíduos (outcrossing), a reprodução sexuada gera novos genótipos e pode reduzir a carga genética, o que ajuda a explicar a sua persistência apesar dos custos que acarreta (Kondrashov, 1988; Otto, 2009).
Ao nível gamético, a reprodução sexuada ocorre em dois modos gerais, que diferem quanto ao tamanho dos gâmetas que se fundem (Togashi & Cox, 2011). Na isogamia, a fusão envolve gâmetas de igual dimensão. Na anisogamia, a fusão envolve gâmetas de dimensões diferentes (Lehtonen et al., 2016). Pensa-se que a anisogamia tenha evoluído há mais de mil milhões de anos (Butterfield, 2000), a partir de antepassados isogâmicos, através de seleção disruptiva que favoreceu dois tipos distintos de gâmetas: gâmetas pequenos, geralmente móveis, otimizados para a quantidade e para a probabilidade de encontro (espermatozoides), e gâmetas grandes, ricos em nutrientes, otimizados para o aprovisionamento do embrião (óvulos) (Levitan, 2006; Parker, 2011; Parker et al., 1972). Em conjunto, estas estratégias reprodutivas divergentes maximizam o sucesso da fecundação e a sobrevivência da descendência.
Os sexos — macho e fêmea — correspondem a estas duas estratégias reprodutivas distintas nas espécies anisogâmicas. Os machos definem-se como o sexo que produz numerosos gâmetas pequenos (espermatozoides). As fêmeas, por sua vez, definem-se como o sexo que produz um número menor de gâmetas, mas de maiores dimensões (óvulos) (Parker, 2011; Williams, 1975). Consequentemente, os indivíduos são classificados como machos ou fêmeas consoante o seu sistema reprodutor tenha como função biológica produzir, respetivamente, espermatozoides ou óvulos (Bogardus, 2025). Uma vez que os espermatozoides e os óvulos constituem as únicas duas classes de gâmetas existentes nos sistemas anisogâmicos, existem apenas dois sexos. É este dimorfismo gamético que fundamenta a caracterização do sexo, pelos biólogos, como um «binário» (Hilton & Wright, 2023).
Argumentos Comuns Contra o Binário Sexual e Porque Falham
Os Sexos como Tipos de Acasalamento
Artigos de divulgação e mesmo algumas publicações científicas afirmam, por vezes, que determinados fungos e mixomicetos (slime molds) possuem «centenas» ou até «milhares» de sexos (GrrlScientist, 2019; Scharping, 2017). Estas afirmações incorrem num erro categorial ao confundirem tipos de acasalamento (mating types) com sexos (Lehtonen et al., 2012). Nos táxones isogâmicos, os tipos de acasalamento são classes de compatibilidade definidas genética ou molecularmente que regulam quais os gâmetas que podem fundir-se; não se distinguem pelo tamanho dos gâmetas (Hurst & Hamilton, 1992). Em contraste, os sexos nos táxones anisogâmicos são definidos pelo dimorfismo gamético — a produção de gâmetas pequenos (espermatozoides) em oposição à produção de gâmetas grandes (óvulos). Algumas espécies anisogâmicas podem também possuir sistemas de tipos de acasalamento que coexistem com as funções de macho e de fêmea, mas as espécies isogâmicas, por definição, não possuem sexos.
Assim, as alegações de que existem centenas ou milhares de sexos referem-se, na realidade, à existência de numerosos tipos de acasalamento em sistemas isogâmicos, e não à existência de múltiplos sexos. Sempre que a reprodução é anisogâmica, o número de sexos permanece dois — macho e fêmea — definidos pelo tipo de gâmeta produzido (Lehtonen, 2021).
Os Sexos como Cariótipos
Uma linha de argumentação frequentemente utilizada para contestar a natureza binária do sexo consiste em apresentar erradamente o binário sexual como um binário de cariótipos humanos (XX = fêmea; XY = macho) e, em seguida, invocar aneuploidias dos cromossomas sexuais (por exemplo, XXY na síndrome de Klinefelter ou X0 na síndrome de Turner), bem como os raros casos de machos XX e fêmeas XY, para sustentar que têm de existir «mais de dois sexos» (Ainsworth, 2015; Blackless et al., 2000). Argumenta-se que, se nos seres humanos existem cariótipos viáveis para além de XX e XY, então o sexo não pode ser simultaneamente binário e determinado pelos cromossomas sexuais.
A falha fundamental deste argumento reside em confundir a forma como o sexo é determinado com a forma como o sexo é definido (Capel, 2017; Griffiths, 2021; Hilton & Wright, 2023). Em biologia do desenvolvimento, a determinação sexual refere-se aos mecanismos que desencadeiam e regulam o desenvolvimento sexual. Esses mecanismos variam amplamente entre diferentes táxones (Bachtrog, 2014). Entre eles incluem-se mecanismos cromossómicos (como o gene SRY no cromossoma Y dos mamíferos), dependentes da temperatura (por exemplo, temperaturas mais elevadas originam machos em muitas espécies de répteis), haplodiploidia (em que ovos haploides não fecundados dão origem a machos na maioria dos insetos da ordem Hymenoptera) ou mecanismos ambientais (como os sinais químicos em Bonellia viridis).
Contudo, independentemente do mecanismo através do qual o sexo é determinado, o sexo de um indivíduo — macho ou fêmea — é universalmente definido pelo tipo de gâmeta (espermatozoides ou óvulos) que o seu sistema reprodutor tem a função biológica de produzir (Goymann et al., 2023). As aneuploidias dos cromossomas sexuais representam, por conseguinte, variações dentro dos dois sexos existentes, e não sexos adicionais.
O Sexo como um Espectro
Embora sejam frequentes as afirmações de que existem «mais de dois sexos», a contestação mais comum ao carácter binário do sexo sustenta que o sexo constitui um «espectro» (Ainsworth, 2015; Fuentes, 2025). Segundo esta perspetiva, «macho» e «fêmea» não são categorias biológicas distintas, mas antes extremos teóricos de uma distribuição contínua, da qual os indivíduos apenas se aproximariam em maior ou menor grau. Este modelo implica que os indivíduos só podem ser descritos em termos de graus de masculinidade ou feminilidade biológicas, e não como sendo estritamente machos ou fêmeas. A principal evidência invocada em apoio deste modelo é a existência de diferenças ou perturbações do desenvolvimento sexual (DSDs) (Sax, 2002), incluindo diversas formas de atipicidade genital ou gonadal, frequentemente apresentadas de forma visual ao longo de um contínuo que vai da «fêmea típica» ao «macho típico».
Contudo, a existência destas condições não põe em causa a natureza binária do sexo, porque o binário sexual não implica que todos os indivíduos possam ser classificados, sem qualquer ambiguidade, como machos ou fêmeas. A afirmação é, antes, que nos organismos anisogâmicos existem apenas dois tipos de gâmetas — espermatozoides e óvulos — e, consequentemente, apenas dois sexos. A ambiguidade sexual não constitui um terceiro sexo nem um sexo intermédio, porque a variação no desenvolvimento não corresponde ao aparecimento de novos tipos de gâmetas.
Os Sexos como Categorias Politéticas
Uma categoria politética é uma categoria cujos membros partilham características sobrepostas, sem que exista uma única característica que seja simultaneamente necessária e suficiente para a pertença à categoria. A inclusão baseia-se numa «semelhança de família»: cada membro partilha um número suficiente de características com os restantes para ser reconhecido como pertencente ao conjunto, embora nem todos os membros possuam exatamente a mesma combinação de características (Needham, 1975; Wittgenstein, 1953).
Os defensores de um modelo politético do sexo recorrem a esta ideia para apresentar o sexo como um fenómeno multivariado (em vez de univariado, como no simples modelo de «espectro»). Segundo esta perspetiva, o «sexo» constitui um agregado de características — cromossomas, gónadas, gâmetas, hormonas, neuroanatomia, características sexuais secundárias e outros traços sexualmente dimórficos — sendo os indivíduos posicionados em diferentes graus de masculinidade ou feminilidade consoante o perfil global das suas características se aproxime daquilo que é considerado típico dos machos ou típico das fêmeas (Dreger, 2000; Fausto-Sterling, 2000).
Contudo, macho e fêmea não são categorias politéticas. São classes reprodutivas definidas por um único critério: o tipo de gâmeta (espermatozoides ou óvulos) que o sistema reprodutor de um organismo tem como função biológica produzir. Todas as restantes características — cariótipo, morfologia genital, perfis hormonais, dimorfismos neurológicos e somáticos — constituem, em regra, causas, indicadores indiretos (proxies) ou consequências dessa distinção funcional. Tratar esses correlatos como elementos conjuntamente definidores do sexo confunde os seus determinantes e as suas consequências biológicas com o próprio sexo.
Além disso, a abordagem politética é logicamente autorrefutante (Griffiths, 2021). As características são classificadas como «típicas dos machos» ou «típicas das fêmeas» precisamente porque se correlacionam com machos e fêmeas previamente identificados de forma independente — em última análise, por referência aos gâmetas. Por outras palavras, este modelo pressupõe as categorias binárias assentes nos gâmetas que pretende substituir e, em seguida, infere novamente essas mesmas categorias a partir dos seus correlatos. Enquanto estrutura descritiva da variação entre características, um modelo multivariado pode ser útil; enquanto definição de sexo, é incoerente.
O Modelo Multinível do Sexo
O modelo multinível combina as abordagens do espectro e da categoria politética, distribuindo o «sexo» por vários supostos «níveis», que normalmente incluem os cromossomas sexuais, a anatomia reprodutora interna, os órgãos genitais externos, as características sexuais secundárias, os perfis hormonais e o comportamento, estendendo-se por vezes também à «identidade de género» (Migeon & Wisniewski, 1998). Em vez de classificar os organismos como machos ou fêmeas, este modelo atribui classificações sexuais a características ou níveis específicos (por exemplo, «sexo genético», «sexo endócrino», «sexo morfológico», «sexo comportamental», entre outros) (McLaughlin et al., 2023; Sun et al., 2023).
Segundo a formulação de McLaughlin et al. (2023), o sexo é apresentado como «uma categoria construída que opera em múltiplos níveis biológicos», centrando-se em quatro níveis principais: genético, endócrino, morfológico e comportamental. Este enquadramento confunde os determinantes e os correlatos do sexo com o próprio sexo (Bachtrog, 2014; Capel, 2017). Os genes e as redes de genes iniciam e regulam a diferenciação sexual; as hormonas medeiam o desenvolvimento subsequente e os dimorfismos fenotípicos; a morfologia e muitos comportamentos são influenciados pelo sexo do organismo. Contudo, nenhuma destas características define o sexo. O sexo é uma classe reprodutiva ao nível do organismo, ancorada no tipo de gâmeta que esse organismo tem como função biológica produzir. Considerar reguladores a montante (como a atividade do gene SRY ou o ambiente hormonal) ou resultados a jusante (como a morfologia dimórfica ou determinados comportamentos) como «níveis» equivalentes do sexo constitui um erro de análise dos níveis explicativos.
Além disso, o modelo multinível herda a mesma circularidade lógica do modelo politético. As características são classificadas como «típicas dos machos» ou «típicas das fêmeas» apenas porque se correlacionam com organismos previamente identificados como machos ou fêmeas — uma identificação que, nas espécies anisogâmicas, é feita, em última instância, por referência aos gâmetas. Uma vez eliminada essa referência, a tipologia perde o seu fundamento interpretativo. Enquanto estrutura descritiva destinada a integrar dados genéticos, endócrinos e morfológicos no contexto do diagnóstico diferencial em medicina, o modelo multinível possui utilidade prática; enquanto definição de sexo, é conceptualmente incoerente.
Conclusão
Este artigo defende uma tese simples, mas com implicações de grande alcance: nos organismos anisogâmicos, os sexos — macho e fêmea — são classes funcionais definidas pelo tipo de gâmeta que o sistema reprodutor de um indivíduo tem como função biológica produzir (Bogardus, 2025). Os machos têm como função biológica produzir espermatozoides; as fêmeas têm como função biológica produzir óvulos (Parker et al., 1972). Esta definição é universal em todos os táxones anisogâmicos. Grande parte da confusão contemporânea resulta da tendência para confundir a forma como o sexo é determinado (isto é, como o sexo se desenvolve) com a forma como o sexo é definido (isto é, o que o sexo é), bem como da confusão entre os determinantes a montante e os correlatos a jusante do sexo, por um lado, e o próprio sexo, por outro. Nesta perspetiva, as aneuploidias e as diferenças ou perturbações do desenvolvimento sexual (DSDs) descrevem variações no desenvolvimento ou na função dentro dos dois sexos; os «tipos de acasalamento» pertencem aos sistemas isogâmicos e constituem classes de compatibilidade, não sexos; e as representações «multivariadas» ou em «espectro» limitam-se a quantificar a variação de características dentro de cada sexo e entre os dois sexos, sem alterar o número de sexos existente.
O valor científico de definições claras e rigorosas é enorme (Dawkins, 2025). Uma definição de sexo baseada nos gâmetas impede a propagação de erros na biologia comparada, na fisiologia, na ecologia e na medicina. Preserva a inteligibilidade de fenómenos dependentes do sexo — como a seleção sexual, o dimorfismo sexual e os compromissos evolutivos da história de vida (life-history trade-offs) — e mantém a disciplina conceptual ao situar os mecanismos de determinação sexual (por exemplo, as vias do gene SRY, os sistemas ZW, a determinação dependente da temperatura ou os sinais sociais) no seu devido enquadramento explicativo. Além disso, assegura a coerência entre diferentes táxones: quer uma espécie seja gonocórica ou hermafrodita, quer a determinação sexual seja cromossómica, ambiental ou social, os termos «macho» e «fêmea» continuam a ser comparáveis de forma significativa, porque estão ancorados na função reprodutiva e não num conjunto de características que varia amplamente entre diferentes grupos taxonómicos.
As implicações sociais e éticas são igualmente relevantes. A biologia rigorosa é distinta das questões relativas à dignidade, aos direitos e à forma como devemos tratar os outros. Os debates sobre políticas públicas não devem ser resolvidos através da redefinição — ou da eliminação conceptual — das realidades reprodutivas que tornam o sexo um conceito científico útil. Quando as categorias são esbatidas por razões alheias à ciência, abrem-se as portas a consequências prejudiciais: protocolos clínicos confusos, epidemiologia comprometida, erosão e/ou conflito das proteções jurídicas e diminuição da confiança pública na ciência.
Em todos os táxones anisogâmicos, machos e fêmeas são definidos pelo dimorfismo gamético. As propostas que procuram redefinir o sexo em função dos cariótipos, das características sexuais secundárias, do comportamento ou de outros correlatos são conceptualmente incoerentes e pressupõem inevitavelmente o próprio fundamento que pretendem substituir, porque as categorias «macho» e «fêmea» só são inteligíveis por referência aos espermatozoides e aos óvulos.
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