Sugestões de Leitura: Novidades na Filosofia, Abril 2026

Sempre com a ajuda das preciosíssimas Notre Dame Philosophical Reviews, trazemos as últimas novidades no mercado editorial da filosofia. Eis aqui oito sugestões.

Em Aquinas on the Ethics of Happiness (Cambridge University Press, 2025), Joseph Stenberg reconstrói de forma sistemática a ética tomista, apresentando-a não como um conjunto disperso de teses, mas como um modelo coerente e articulado em torno da noção de felicidade humana, no qual se integram dimensões individuais e comunitárias, bem como a relação entre virtude, lei natural e finalidade última do agir. Em Out of Nowhere: The Emergence of Spacetime in Theories of Quantum Gravity (Oxford University Press, 2025), Christian Wüthrich e Nick Huggett analisam em profundidade várias abordagens contemporâneas à gravidade quântica, discutindo de que modo o espaço-tempo poderá não ser fundamental, mas antes emergir de estruturas físicas mais básicas, o que implica uma revisão significativa das categorias ontológicas tradicionais da física. Em A Pluralist Theory of Perception (MIT Press, 2024), Neil Mehta propõe uma teoria pluralista segundo a qual a perceção não constitui um processo único e homogéneo, mas envolve múltiplas formas irreduzíveis de relação cognitiva com o mundo, desafiando modelos unificadores e oferecendo uma análise detalhada das suas implicações epistemológicas. Em Debating Transcendence: Creatio ex nihilo and Sheng Sheng (Fordham University Press, 2026), Bin Song desenvolve um diálogo comparativo entre tradições filosóficas e teológicas ocidentais e chinesas, colocando em confronto a doutrina da criação a partir do nada com conceções de geração contínua e auto-transformação do real, explorando as suas consequências metafísicas e cosmológicas.

Ainda, em Lottocracy: Democracy Without Elections (Alexander Guerrero, Oxford University Press, 2024), propõe-se uma transformação radical da democracia representativa pela substituição das eleições por sorteio aleatório de cidadãos comuns (lottocracy), criticando o sistema eleitoral por gerar elites, hiperpartidarismo, manipulação e viés de curto prazo; em seu lugar, sugere cerca de 20 legislaturas temáticas compostas por 450 cidadãos sorteados, com mandatos de três anos, bem remunerados e estruturados em fases de deliberação, consulta e decisão, visando maior qualidade epistêmica, representatividade e accountability. Em The Ethics of Public Health Paternalism (T. M. Wilkinson, Oxford University Press, 2025), analisa-se criticamente o paternalismo estatal em saúde pública que restringe escolhas adultas prejudiciais (tabaco, álcool, obesidade), argumentando que tais intervenções superestimam o valor da saúde em relação ao bem-estar geral e à autonomia individual, ignorando preferências autênticas e podendo piorar a qualidade de vida, defendendo assim limites éticos rigorosos ao intervencionismo estatal em democracias liberais. Já Omnisubjectivity: An Essay on God and Subjectivity (Linda Trinkaus Zagzebski, Oxford University Press, 2023) introduz o conceito de “omnisubjetividade” divina, segundo o qual Deus não apenas conhece fatos objetivos, mas experimenta subjetivamente todos os estados mentais das criaturas, integrando filosofia da mente, epistemologia e teologia para explicar uma onisciência plena que permite compreender integralmente a subjetividade humana e divina, com a criação fluindo como luz acessível a Deus. Por fim, Love Troubles: A Philosophy of Eros (Federica Gregoratto, Columbia University Press, 2025) desenvolve uma teoria crítica do amor erótico e da amizade, explorando as tensões sociais, políticas e existenciais do eros na modernidade, investigando como o amor pode realizar a liberdade em contextos de desigualdade e polarização de gênero, oferecendo reflexões profundas sobre o sofrimento e o potencial transformador das relações amorosas como fenômenos tanto individuais quanto coletivos.