Galeria: A Cidade como uma Instalação de Arte, Fotografias de Fred Flade

Galeria de fotografia urbana em Lisboa que vê a cidade como um palco acidental onde figuram composições artísticas inesperadas resultantes da união de elementos díspares.

Sinto-me atraído pela cidade enquanto uma espécie de palco acidental ou instalação de arte. Um lugar onde reflexos, camadas, arquitetura, sinais e figuras que passam se organizam, por breves instantes, em composições artísticas inesperadas. Estas fotografias procuram esses momentos em que a cidade e a vida quotidiana que nela decorre se tornam estranhos, abstratos ou discretamente teatrais, muitas vezes apenas por uma fração de segundo.

A fotografia de rua, para mim, consiste em prestar atenção a estas coincidências: encontrar ligações no ruído visual e descobrir imagens que mostram o quotidiano de uma forma mais abstrata e artística. Esta série é também uma celebração de Lisboa, a cidade que serve de palco a estas imagens marcadas pela imprevisibilidade, e da natureza infinitamente bizarra e surpreendente da vida que se desenrola no espaço público.

Sobre o Fotógrafo

Chamo-me Fred Flade. Enquanto artista, sou conhecido como Flicko. Nasci em Munique, na Alemanha, mas passei a maior parte da minha vida adulta em Londres, onde trabalhei como Diretor Criativo. Em 2020, mudei-me definitivamente para Lisboa.

A minha curiosidade surgiu cedo e nunca mais me abandonou. Ainda criança, a crescer na Alemanha, sentia-me atraído pelos recantos despercebidos da vida quotidiana — a poesia silenciosa do banal, as composições acidentais pelas quais a maioria das pessoas passa sem lhes dedicar um segundo olhar.

Aos 21 anos, impulsionado por um fascínio crescente pelo mundo visual, mudei-me para Londres para estudar Design de Comunicação Visual. Londres, com toda a sua fricção, diversidade e ritmo implacável, revelou-se simultaneamente uma escola e um terreno de experimentação. Foi aí, de forma algo inesperada, que a fotografia saiu dos bastidores e começou a assumir um papel mais central.

Profissionalmente, o meu percurso desenvolveu-se no mundo do design visual. Ao longo dos anos, trabalhei como designer e, mais tarde, como diretor criativo. Embora grande parte do meu trabalho se tenha centrado na criação de marcas e na tradução de ideias para o universo digital, a fotografia manteve-se como uma presença constante, uma parte essencial da forma como observava, interpretava e comunicava visualmente.

Em 2020, após um quarto de século em Londres, tomei a decisão de partir e mudar-me para Lisboa. Esta mudança representou uma transformação tanto geográfica como pessoal. Passei a trabalhar como freelancer, continuando ligado ao branding e ao design, mas com esta nova liberdade surgiu um ritual simples, mas significativo: as sextas-feiras passaram a ser dias dedicados somente à fotografia.

De máquina fotográfica na mão e sem um plano definido, percorro as ruas de Lisboa. A minha abordagem é mais instintiva do que planeada; sigo aquilo que me chama a atenção, confiando que algo se revelará se prestar a devida atenção.

Com o tempo, a fotografia evoluiu de um interesse de longa data para algo mais essencial, uma forma de meditação visual. Faz abrandar o ritmo. Aguça a perceção. Cria um espaço onde a observação se torna o objetivo em si, e não um meio para atingir um fim. Num mundo que tantas vezes recompensa a velocidade e o ruído, esta prática oferece um contraponto que é bem-vindo. As ruas estão cheias de histórias. Eu simplesmente tenho seguido a minha curiosidade durante tempo suficiente para começar a reparar em algumas delas.

Partilhar Artigo:

Mais Artigos

Galeria: Frontspícios da Ruralidade, fotografias de Ana Vieira Vicente

Galeria com fotografias de Ana Vieira Vicente ilustrando frontispícios da paisagem etnográfica rural ribatejana, com breves textos romanceados inspirados nas imagens.

E mais Vestígios de futuro: Athina Koumparouli na Manifesta 16 Ruhr

Athina Koumparouli apresenta na Manifesta 16 Ruhr (igrejas abandonadas do Ruhr) duas obras: All the Views I Can’t Remember (fragmentos de vidro reorganizados) e Dead Natures / New Entities (escavações e plantas em cobre). Explora memória, matéria e transformação. Até 4 out 2026, Kulturkirche Liebfrauen, Duisburg.

Galeria: Obras de André M.C. Correia

Quatro séries temáticas da autoria do artista André M.C. Correia, com obra inspirada pela arquitectura, cinema, viagens e quotidiano urbano, que explora a atmosfera, a memória e a carga emocional de espaços imaginários através de narrativas visuais de carácter onírico.

Galeria: Aspectos do Porto Interior de Macau, 1964

Galeria fotográfica com alguns aspectos da vida piscatória chinesa e da paisagística geral na localidade do Porto Interior de Macau, em 1964, captados por uma lente amadora.