O meu trabalho pictórico explora a fronteira entre a figuração e o abstrato, desenvolvendo uma abordagem centrada no universo das formas mecânicas e industriais e das arquiteturas urbanas. A minha pesquisa surge de uma atividade deambulatória: numa relação quotidiana com a urbanidade, com o transporte e com a cidade (enquanto centro global de cultura e meio de relações interpessoais), descubro imagens, primariamente, através de registos instantâneos e fotográficos.
Se, por um lado, o meio urbano é o ponto de partida para a minha exploração pictórica, por contraste, vivo e trabalho num ambiente rural, assimilando e tornando visíveis as limitações temporais e tecnológicas do meio onde estou inscrito.
A minha deslocação quotidiana para a cidade e a demarcação destas fronteiras é notória em diversos aspetos da minha obra. Através da figuração abstrata, ofereço uma visão acelerada em composições de formas industriais — o comboio, o aeroporto, a arquitetura, alusões a mapas e desenho técnico —, as quais são, em contraste, resultado de um processo de desaceleração (oposto ao industrial): o tempo da pintura, da secagem e da sobreposição de camadas.
Assente na memória e no conceito de palimpsesto, resgato telas outrora rejeitadas que servem de suporte para novas composições. Sobreponho-lhes camadas de tinta e apago outros elementos, num processo em que o tempo, a secagem revelam a história da própria obra. Em certas ocasiões, o recurso ao trompe-l’œil assume uma dimensão irónica para dissolver a fronteira entre a matéria física e a ilusão visual.





















