Marcas Portuguesas de Relógios… e de Automóveis

Sobre o impacto que várias marcas portuguesas tiveram no universo automóvel e relojoeiro. Nos automóveis, uma destaca-se por ter criado o seu próprio motor. Na relojoaria, outra destacou-se por criar os seus mecanismos internos.

Texto de Nuno Lopes Margalha, em parceria com o Instituto Português de Relojoaria. Até hoje, Portugal teve várias marcas no universo automóvel e relojoeiro. No mundo dos carros, uma marca destaca-se por ter criado o seu próprio motor. Na relojoaria, outra destacou-se por criar os seus mecanismos internos. A história de ambas seria digna de um filme. Vamos explorar estes e outros nomes que tiveram impacto no setor automobilístico e relojoeiro português. Na imagem, três ícones automobilísticos de Portugal: Olda posiciona-se à esquerda, DM surge ao fundo e Alba destaca-se à direita. Este trio teve uma rivalidade intensa nos primeiros anos da década de 50.

O ALBA

Alba de 1952
©Pedro Cruz – Alba de 1952

O Alba é o único carro, até à data, com motor made in Portugal, uma criação de António Augusto Martins Pereira, herdeiro da metalúrgica Alba de Albergaria-a-Velha. Entre 1952 e 1954, este carro de design italiano foi produzido na referida fábrica. Apenas três exemplares foram feitos, sendo que o original está no Museu do Caramulo.

Motor de um Alba de fabrico portuês
©Pedro Cruz – Motor de um Alba de fabrico portuês

Usava partes de um Fiat 1100, incluindo uma carroçaria totalmente em alumínio. Sofreu diversas modificações e, em 1953, um novo Alba nasceu com componentes nacionais. A necessidade de motores mais robustos levou à criação de um motor exclusivamente português, um marco na engenharia nacional.

A Boa Reguladora

Oficina da Boa Reguladora
©Autor desconhecido – Oficina da Boa Reguladora

Fundada em 1893 no Porto, por João S. Paulo e José Carvalho, mais tarde mudou-se para Famalicão. Tornou-se referência na produção de relógios de parede e mesa, competindo com marcas estrangeiras. Apesar das adversidades, prosperou e marcou presença no Brasil. Nos anos 30 e 40, inovou nos seus modelos e, mesmo durante a Segunda Guerra, continuou a produção, com os relógios dessa época sendo valorizados pela sua qualidade. Houve outras marcas relojoeiras como A Boa Construtora, Cardina e Jerónimo, e a Boa Reguladora teve diretores influentes como Walter Sutter e Jaime Ribeiro.

Marcas Lusitanas com Origens Estrangeiras

Várias marcas portuguesas focaram-se na importação de motores e movimentos de relógio de origem estrangeira.

  • Otar (Fernando Rato),
  • Said (Dias & Moura),
  • Sacul (Lucas),
  • Amer (Rema),
  • Imor (Indústria Moçambicana de Ourivesaria e Relojoaria)
  • Jocar (José Maria Gomes Carvalhinho)
  • Josil (José Henriques da Silva)
  • Joteixe (Irmãos Teixeira)
  • Marsol (Mário dos Santos Oliveira)

No setor automobilístico, tivemos marcas como:

  • Edfor (Eduardo Ferreirinha ),
  • Marlei (rio Moreira Leite),
  • Portaro (Portugal + Aro),
  • DM (Dionísio Mateus),
  • Prozé
  • Sado
  • UMM (União Metalo-Mecânica)

Hoje e Amanhã

No momento, não temos produção de carros com marcas portuguesas, mas várias marcas de relógios continuam activas. Entre elas, Borealis, Contar, Exímio, Meia Lua, Isotope e Escudo, sendo esta última de inspiração estética lusa. Aqui ficam vários exemplos destas marcas, que podem adquirir na Loja dos Relógios Portugueses do Instituto Português de Relojoaria.

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