Colonialismo e Desenvolvimento

Retomamos um enunciado que pontualmente partilhamos em redes e que levantou tanto instintivas e emocionais reacções como bons pontos de partida para debates: a hipótese de que o período conhecido como descobrimentos foi um passo necessário para civilizações sub-desenvolvidas como as ameríndias e sub-saharianas tribais chegarem a um nível moral e tecnológico comparável com o resto do mundo.

Retomamos um enunciado que pontualmente partilhamos em redes e que levantou tanto instintivas e emocionais reacções como bons pontos de partida para debates: a hipótese de que o período conhecido como descobrimentos foi um passo necessário para civilizações sub-desenvolvidas como as ameríndias e sub-saharianas tribais chegarem a um nível moral e tecnológico comparável com o resto do mundo. Tal hipótese requer que nos lembremos de como a ocupação militar, territorial e cultural é um fenómeno transversal à história humana, e como, ao contrário do que muito maniqueísticamente por vezes pensamos, resultam não apenas em explorações unipolares mas sim em trocas maioritariamente culturais que beneficiam ambas as partes — seguramente é o caso com as ocupações romanas, visigóticas e árabes da península ibérica, e pode ser o caso com as colonizações europeias das culturas sub-saharianas e ameríndias, populações que, aliás, já existiam em regimes de ocupações e sobre-ocupações culturais e militares, como em toda a parte. Para além do romantismo de algumas grandes civilizações de éticas pouco robustas e desenvolvimento tecnológico limitado, estas sociedades eram maioritariamente tribais, com sistemas de leis arcaicos, tecnologias inferiores e as experiências civilizacionais de larga escala eram de pouco sucesso. Deixamos assim o já largamente conhecido artigo de Bruce Gilley e toda a biografia associada, assim como uma obra algo política em contradição com esta tese, que alega, no caso africano, como a colonização teria subdesenvolvido o continente, partindo porém de suposições não-falsificáveis.

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