Na Era de 1366, segundo narra o Cavaleiro e Cronista Francês Bertran du Guesclin, ocorreu um evento inesperado (cómico) na Corte de D. Pedro de Portugal, aquando da receção do Francês Mathieu de Gournay:
“O Rei [de Portugal] disse-lhe, logo com prontidão:
– Dois menestréis…

…temos, que sob meu mandado estão;
No Oriente distante e terras afins não há igual!
O Rei de Benemerine muitas vezes me tem chamado,
Requerendo que lhos envie; mas tudo é em vão,
Que eu jamais deles me separaria, pois não;
Então mandou chamá-los, sem demora,
E logo vieram, com mui convenção,
Que Mathieu de Gournay – que ora vos falo eu -,
Nunca vira tais nobres gentes diante do Rei, em reunião.
E cada um deles tinha ante si um servo,
Que ao ombro levava uma sinfonia, seu instrumento.
E logo se prestaram os dois menestréis;
Que diante do Rei foram a sinfonar.
Quando Mathieu de Gournay os foi olhar,
E ouviu estes tão louvados sinfonistas a tocar,
No seu coração, rindo, os escarnecia de bom grado.
E o Rei lhe disse, após a sinfonia tangida:
“Que vos parece – disse – são bons, o satisfazem?” Respondeu Mathieu de Gournay:
“Não escondê-lo-ei de vós,
Sabei que na França e também na Normandia,
Tais instrumentos só cegos carregam e tangem.
Assim fazem cegos e pobres andantes
Que com tais engenhos divertem os burgueses viajantes
Chamam-no lá de instrumento dos mendigos cantantes”.
E quando isto o Rei ouviu, o coração se lhe começou a doer;
Jurou por Jesus Cristo, nosso Pai Todo-Poderoso,
Que jamais tão pútridos homens o serviriam em vida.
O Rei de Portugal, muito irado e de cólera ferida,
Deu licença aos dois sinfonistas, em tom de despedida”.
Esta é a entrada definitiva [só boatos haha] da polifonia em Portugal, só pode!
