Qual é o Problema com o Padrão dos Descobrimentos?

O Vaticano divulgou os selos comemorativos das Jornadas Mundiais da Juventude de 2023 em Portugal. Optou-se pela figura do papa e de jovens cavalgando um conhecido monumento português. Aparentemente há uma porção de pessoas que acham que a mera evocação do período dos Descobrimentos, além da referência ao monumento em concreto, é uma coisa muito ofensiva.

Há pouco tempo, o Vaticano divulgou os selos comemorativos das Jornadas Mundiais da Juventude de 2023 em Portugal. A imagem é habitual neste tipo de evento: a sua ética e personagens, assim como a homenagem ao país anfitrião. Optou-se pela figura do papa e de várias faixas etárias de jovens cavalgando um conhecido monumento português. Aparentemente, para grande surpresa de muitos de nós, há uma porção possivelmente conservadora de pessoas que acham que a mera evocação do período dos Descobrimentos, além da referência ao monumento em concreto, é uma coisa muito ofensiva. Surpreendem dois aspectos desta atitude: primeiro, saber que muitas desta gente, há 5 ou 10 anos, nada achariam de estranho neste arranjo; segundo, o facto de o monumento, apesar de esteticamente discutível, de modo muito objetivo em termos de conteúdos nada ter de polémico: não há nenhuma celebração de “opressão“, nenhuma glorificação de morte e sangue, mas apenas o desenho de gosto discutível de uma caravela, com uma série desuper-heróis versão “manga”, empoleirados, virados para o mar e para a exploração marítima. Tendo em conta dois factores — o primeiro, que todos os povos sem exceção nenhuma à face da terra enveredaram por expansão cultural e militar e, segundo, que o monumento em si não tem nada de objetivamente ofensivo para ninguém — é absolutamente bizarra, intempestiva e mentalmente desregulada qualquer tipo de indignação berrante com uma criação gráfica tão normal. Assim, lançamos com sinceridade a pergunta: qual é concretamente o problema com o padrão dos descobrimentos? Vamos só terminar lembrando que não só ao longo da história mas também no presente não há inocentes à face da terra, e que toda a literatura universal nos ensina isso. Podemos, a propósito do evento em concreto, citar a frase cristã bem conhecida: “vês o cisco no olho do teu irmão mas não vês a trave no teu próprio olho“, embora baste a qualquer pessoa passar os olhos pelos cânones de outras culturas e religiões para encontrar conteúdos absolutamente idênticos. Pedimos, assim, mais humildade, mais racionalidade e menos histerismo e caça às bruxas inócua. Juízo e corações ao alto!

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