Da Diferença entre Orientação Sexual e Parafilia

Um tópico por vezes debatido no âmbito das categorias mais morais do que científicas relacionadas com sexualidade contemporânea: a diferença entre "orientação sexual" e "parafilias".  A primeira é tipicamente entendida como a grande direcção do desejo, em geral orientada para categorias masculinas ou femininas muito claras e a segunda é em geral defendida como uma excepção na normalidade lógica da sexualidade.

Um tópico que por vezes é debatido no âmbito das categorias mais morais do que científicas relacionadas com sexualidade contemporânea: a diferença entre “orientação sexual” e “parafilias”. 

A primeira é tipicamente entendida como a grande direcção do desejo, em geral orientada para categorias masculinas ou femininas muito claras e a segunda é em geral defendida como uma excepção na normalidade lógica da sexualidade.

Ora queremos aqui esclarecer qual é a diferença, e a resposta é: não existe nenhuma. De um ponto de vista objectivo, concreto, redutível a factos brutos sistematizáveis numa descrição científica, as práticas e identidades sexuais são todas iguais: preferir homens, preferir mulheres, preferir loiras, preferir gordos, preferir anões, preferir novos, preferir velhos, preferir cabedal e sadomasoquismo, preferir mudar de sexo, preferir vestir-se do sexo oposto, preferir orgias, é tudo a mesma coisa.

Não existe formal e categoricamente nenhuma diferença entre estas tendências, preferências, práticas ou identidades. A única diferença que existe é ao nível do lugar moral em que as colocamos,  também curiosamente na sua relação com o binário de amor romântico, e com a maneira como cada uma das práticas podem ser consideradas “substanciais“, ou seja, absolutamente definidoras da “identidade“ da pessoa“, embora tudo isso seja naturalmente arbitrário.

Tanto pessoas de índole conservadora, que verão possivelmente a relação primordial de homem e mulher como de uma dimensão diferente, como pessoas de índole revolucionária, que aceitarão as práticas alternativas mas dentro de um esquema de excepcionalismo, terão dificuldade em encaixar esta leitura objectiva da questão, mas a verdade é que as nossas classificações sobre realizações da sexualidade não podem ser colocadas numa diferença de substância mas apenas de lugar moral.

Para isso também nos alicerçamos em Freud, que deixou bem claro nos seus famosos Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade como não existem de modo objectivo “desvios” sexuais, sublinhando-o através de um exemplo bem conhecido de todos nós: o beijo entre amantes, tão comum entre nós, que definiu como “a união dos respectivos inícios do trato digestivo”, não tem nada a ver com cópula e nesse sentido é um “desvio” tão grande como uniões de lábios com outros orifícios ou outros comportamento excepcional e lateral.

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