Edição: Abril 2026

Imagens que passais pela retina: o “ódio” é o novo “sexo”, a música na aprendizagem, o debuxo nos lanifícios, ressonâncias do piano no cinema, a prevalência global da homossexualidade, o uso das cores na vila medieval, contos quinhentistas engraçados, quem decide do que gostamos, novidades na filosofia, as três Marias, a política continua cristã, a desordem como conhecimento, sobre trabalho e ciganos, a psicologia das multidões, when Harry met Sally, malhão de ir ao meio, obras de Carla dos Santos.

ENSAIO

O “Ódio” é o Novo “Sexo”

Comparar atitudes face ao ódio com as vitorianas face ao sexo choca: hoje o sexo é natural e o ódio maligno, mas há 150 anos era o oposto — ódio era comum e compreensível, e o desejo sexual era bestial, sujo e inadmissível. Mas nem um nem outro desaparecem só por serem banidos da esfera pública.

“Orquestra do Jardim da Ciência”: proposta de exploração músico-matemática em aprendizagem não-formal

“Orquestra do Jardim da Ciência” é uma proposta educativa interdisciplinar (Música e Matemática) que promove escuta, padrões e pensamento lógico em contexto não-formal, visando superar a fragmentação curricular e potenciar aprendizagens significativas.

O Debuxo na Indústria de Lanifícios: Memória e Património da Covilhã

Num tempo de produção industrial automatizada, importa revisitar saberes fundadores. O debuxo, técnica de desenho têxtil, sustentou os lanifícios da Covilhã. Mais do que técnica, exprime uma forma de pensar o tecido e preservar essa memória.

A Prevalência Global da Homossexualidade: Uma Análise Baseada no Estudo Ipsos LGBT+ Pride 2023

O mais abrangente estudo global sobre orientação sexual revela que só cerca de 9% da população diverge da heterossexualidade, estabelecendo a homosexualidade e outras como variações naturais mas muito minoritárias da experiência humana.

As ressonâncias do piano no cinema contemporâneo

Explicações para a recorrência da figura do piano na história do cinema, trazendo alguns exemplos emblemáticos e suscitando algumas análises sobre eles.

Louis Legrand, Nicholas Freeman.

CRÓNICA

No Riso a Transgressão, Na Escrita o Prazer

Sobre as Novas Cartas Portuguesas, das “três Marias”, obra que dá voz às mulheres, subverte a literatura portuguesa e mistura géneros como poesia, ensaio e cartas.

A política continua cristã e negá-lo é fingir neutralidade moral

A maior fraude intelectual do nosso tempo é fingir que o Cristianismo saiu da política. Não saiu. Foi apenas empurrado para a esfera privada, onde continua a imperar, a julgar e a impor limites morais ao poder, enquantos todos fingem que agem em nome da razão, do progresso ou da neutralidade ética.

Desordem. Sem Instruções.

Cresci na escola a resolver equações e imaginários, mas o mundo real é bruto, sem enunciado, cheio de emoções que nenhum livro ensina. A vida não tem capítulos fechados nem maturidade final — só suspensão permanente e “aperfeiçoamento contínuo”. A educação forma máquinas produtivas, mas falha no essencial: lidar com perda, frustração e vazio. Talvez resgatar a ingenuidade infantil nos salve desta formatação sem fim.

Sobre em Portugal só 20% dos ciganos trabalharem

Sobre um estudo da FRA, um inquérito sobre direitos, condições de vida e integração de ciganos ou roma e nómadas em permanente deslocação em 13 países europeus, que avalia o progresso face às metas da UE para 2030 em áreas como a discriminação, pobreza, educação, emprego, saúde e habitação.

A Psicologia das Multidões

Análise psicológica e sociológica sobre como o indivíduo modifica radicalmente o seu comportamento quando está inserido numa multidão. Primeiros três capítulos da obra A Psicologia das Multidões, de Gustave le Bon, de 1895.

Para dentro / para fora.

ARTES VISUAIS

Galeria: Desenhos de Carla dos Santos

Galeria com obras de Carla dos Santos, numa série tripartida reflectindo relações entre formas da natureza e movimentos da mente.



Sugestões de leitura.

RUBRICA

Sobre o uso das cores no olhar quotidiano medieval, usando a vila de Guimarães

Tendo por base o artigo “Um esboço das cores da cidade, entre o público e o privado, na Idade Média” de Maria da Conceição Falcão, aqui se demonstra o uso variado das cores no olhar quotidiano, usando a vila de Guimarães como um exemplo prático.

Contos engraçados de Marcos Mendes, Cidadão da Lisboa de Quinhentos

Contos engraçados de um Cidadão da Lisboa de Quinhentos chamado Marcos Mendes sobre o seu quotidiano e conversas com outrem.


Três bonitos mapas da Europa: heráldica, restauração e arte.

Quem decide do que gostamos?

Formam-se filas durante a noite para comprar um relógio de plástico. Listas de espera prolongam-se durante anos para adquirir um desportivo em aço. Milhares de pessoas, em cidades diferentes e culturas distintas, acabam por desejar exactamente o mesmo objecto. Quem decide isto?

Sugestões de Leitura: Novidades na Filosofia, Abril 2026

Sempre com a ajuda das preciosíssimas Notre Dame Philosophical Reviews, trazemos as últimas novidades no mercado editorial da filosofia. Eis aqui oito sugestões ligadas ao mês de Abril de 2026.

Either/Or.

CRÍTICA

Crítica: When Harry Met Sally (Rob Reiner, 1989) e as Dinâmicas do Masculino/Feminino

A grande força desta película vem de apresentar uma história de amor primariamente como um processo adversarial, construído com base em conflitos insanáveis, e não, como é mais comum na narrativa pós-romântica e contemporânea, em descrições de encontros e compatibilidades.

Crítica: Malhão de Ir ao Meio, Grupo Folclórico de Vila Verde

Um tema tradicional cuja a letra é de autor desconhecido, sendo a versão apresentada em livro provavelmente uma das muitas variantes que a tradução oral foi mantendo viva.

Funnies!

Eleanor da Aquitânia (1122-1204), uma das figuras mais influentes da Idade Média, nasceu como herdeira do Ducado da Aquitânia, um dos territórios mais ricos e culturalmente vibrantes da Europa. Casada aos 15 anos com Luís VII de França e, após a anulação do casamento, com Henrique II de Inglaterra,

exerceu poder político excepcional como rainha consorte e regente. No entanto, foi no âmbito cultural que Eleanor deixou uma marca indelével: ela transformou as suas cortes em centros de refinamento e criatividade, promovendo ativamente a literatura, a música e as artes visuais, o que contribuiu para o florescimento da cultura cortês na Europa ocidental.

O seu patronato das artes foi particularmente notável na corte de Poitiers, onde Eleanor e a sua filha Maria de Champagne criaram um ambiente propício ao desenvolvimento do amor cortês. Ela apoiou generosamente trovadores occitanos como Bernart de Ventadorn e influenciou o surgimento de obras literárias que celebravam o amor romântico, a cavalaria e a fin’amor. Eleanor incentivou a produção de canções, poemas e romances que misturavam tradições provençais com elementos clássicos e cristãos, ajudando a difundir esses ideais pela França e pela Inglaterra. O seu mecenato não se limitou à literatura: ela patrocinou também a arquitetura e as artes decorativas, financiando construções e embelezamentos em abadias e palácios, o que reforçou o prestígio cultural dos Plantagenetas.

Mesmo nos anos de prisão (1173-1189) impostos pelo marido, Eleanor manteve influência cultural indireta, e após a libertação continuou a atuar como patrona até idade avançada. A sua visão transformou a Aquitânia e as cortes anglo-francesas em berços da literatura medieval em vernáculo, pavimentando o caminho para obras como os romances arturianos. Eleanor da Aquitânia não foi apenas uma rainha poderosa, mas uma verdadeira mecenas que elevou o estatuto das artes na Idade Média, deixando um legado que ainda ressoa na cultura ocidental.