Imagens que passais pela retina: o “ódio” é o novo “sexo”, a música na aprendizagem, o debuxo nos lanifícios, ressonâncias do piano no cinema, a prevalência global da homossexualidade, o uso das cores na vila medieval, contos quinhentistas engraçados, quem decide do que gostamos, novidades na filosofia, as três Marias, a política continua cristã, a desordem como conhecimento, sobre trabalho e ciganos, a psicologia das multidões, when Harry met Sally, malhão de ir ao meio, obras de Carla dos Santos.
Comparar atitudes face ao ódio com as vitorianas face ao sexo choca: hoje o sexo é natural e o ódio maligno, mas há 150 anos era o oposto — ódio era comum e compreensível, e o desejo sexual era bestial, sujo e inadmissível. Mas nem um nem outro desaparecem só por serem banidos da esfera pública.
“Orquestra do Jardim da Ciência” é uma proposta educativa interdisciplinar (Música e Matemática) que promove escuta, padrões e pensamento lógico em contexto não-formal, visando superar a fragmentação curricular e potenciar aprendizagens significativas.
Num tempo de produção industrial automatizada, importa revisitar saberes fundadores. O debuxo, técnica de desenho têxtil, sustentou os lanifícios da Covilhã. Mais do que técnica, exprime uma forma de pensar o tecido e preservar essa memória.
O mais abrangente estudo global sobre orientação sexual revela que só cerca de 9% da população diverge da heterossexualidade, estabelecendo a homosexualidade e outras como variações naturais mas muito minoritárias da experiência humana.
Explicações para a recorrência da figura do piano na história do cinema, trazendo alguns exemplos emblemáticos e suscitando algumas análises sobre eles.
Sobre as Novas Cartas Portuguesas, das “três Marias”, obra que dá voz às mulheres, subverte a literatura portuguesa e mistura géneros como poesia, ensaio e cartas.
A maior fraude intelectual do nosso tempo é fingir que o Cristianismo saiu da política. Não saiu. Foi apenas empurrado para a esfera privada, onde continua a imperar, a julgar e a impor limites morais ao poder, enquantos todos fingem que agem em nome da razão, do progresso ou da neutralidade ética.
Cresci na escola a resolver equações e imaginários, mas o mundo real é bruto, sem enunciado, cheio de emoções que nenhum livro ensina. A vida não tem capítulos fechados nem maturidade final — só suspensão permanente e “aperfeiçoamento contínuo”. A educação forma máquinas produtivas, mas falha no essencial: lidar com perda, frustração e vazio. Talvez resgatar a ingenuidade infantil nos salve desta formatação sem fim.
Sobre um estudo da FRA, um inquérito sobre direitos, condições de vida e integração de ciganos ou roma e nómadas em permanente deslocação em 13 países europeus, que avalia o progresso face às metas da UE para 2030 em áreas como a discriminação, pobreza, educação, emprego, saúde e habitação.
Análise psicológica e sociológica sobre como o indivíduo modifica radicalmente o seu comportamento quando está inserido numa multidão. Primeiros três capítulos da obra A Psicologia das Multidões, de Gustave le Bon, de 1895.
Tendo por base o artigo “Um esboço das cores da cidade, entre o público e o privado, na Idade Média” de Maria da Conceição Falcão, aqui se demonstra o uso variado das cores no olhar quotidiano, usando a vila de Guimarães como um exemplo prático.
Formam-se filas durante a noite para comprar um relógio de plástico. Listas de espera prolongam-se durante anos para adquirir um desportivo em aço. Milhares de pessoas, em cidades diferentes e culturas distintas, acabam por desejar exactamente o mesmo objecto. Quem decide isto?
Sempre com a ajuda das preciosíssimas Notre Dame Philosophical Reviews, trazemos as últimas novidades no mercado editorial da filosofia. Eis aqui oito sugestões ligadas ao mês de Abril de 2026.
A grande força desta película vem de apresentar uma história de amor primariamente como um processo adversarial, construído com base em conflitos insanáveis, e não, como é mais comum na narrativa pós-romântica e contemporânea, em descrições de encontros e compatibilidades.
Um tema tradicional cuja a letra é de autor desconhecido, sendo a versão apresentada em livro provavelmente uma das muitas variantes que a tradução oral foi mantendo viva.
Funnies!
Eleanor da Aquitânia (1122-1204), uma das figuras mais influentes da Idade Média, nasceu como herdeira do Ducado da Aquitânia, um dos territórios mais ricos e culturalmente vibrantes da Europa. Casada aos 15 anos com Luís VII de França e, após a anulação do casamento, com Henrique II de Inglaterra,
exerceu poder político excepcional como rainha consorte e regente. No entanto, foi no âmbito cultural que Eleanor deixou uma marca indelével: ela transformou as suas cortes em centros de refinamento e criatividade, promovendo ativamente a literatura, a música e as artes visuais, o que contribuiu para o florescimento da cultura cortês na Europa ocidental.
O seu patronato das artes foi particularmente notável na corte de Poitiers, onde Eleanor e a sua filha Maria de Champagne criaram um ambiente propício ao desenvolvimento do amor cortês. Ela apoiou generosamente trovadores occitanos como Bernart de Ventadorn e influenciou o surgimento de obras literárias que celebravam o amor romântico, a cavalaria e a fin’amor. Eleanor incentivou a produção de canções, poemas e romances que misturavam tradições provençais com elementos clássicos e cristãos, ajudando a difundir esses ideais pela França e pela Inglaterra. O seu mecenato não se limitou à literatura: ela patrocinou também a arquitetura e as artes decorativas, financiando construções e embelezamentos em abadias e palácios, o que reforçou o prestígio cultural dos Plantagenetas.
Mesmo nos anos de prisão (1173-1189) impostos pelo marido, Eleanor manteve influência cultural indireta, e após a libertação continuou a atuar como patrona até idade avançada. A sua visão transformou a Aquitânia e as cortes anglo-francesas em berços da literatura medieval em vernáculo, pavimentando o caminho para obras como os romances arturianos. Eleanor da Aquitânia não foi apenas uma rainha poderosa, mas uma verdadeira mecenas que elevou o estatuto das artes na Idade Média, deixando um legado que ainda ressoa na cultura ocidental.
Velocidade de cruzeiro: oito inéditos, ciência-pop, novidades na filosofia, sufrágio feminino, conflito judaico-árabe, império romano, romances longos, o Guia de Portugal, quatro cronistas, história do beijo, e cinema sobre nojo, gays e terrorismo.
Governo sombra: novidades tecnológicas na educação, mudança de sexo como fraude médica, autogestão da sogantal, metafísica do amor, racionalidade como sobrevivência, o que os outros vêem em nós, ano da física quântica, procissão de abril como celebração datada, Portugal medieval, artes visuais, os limites da ciência, cinema italiano e art of the deal.