
| O termo Bildungsroman (“romance de formação), nome pelo qual é conhecido genericamente este género literário, foi cunhado em 1819 mas só no final desse século e da respetiva produção literária é que se popularizou junto do público em geral e da crítica. O enredo, quer decorra em períodos de tempo extensos ou retrate apenas um período mais selecto, tipicamente contém eventos fundamentais da transição da adolescência para idade adulta que moldam o carácter e personalidade do ou dos protagonistas. Uma das entradas germinais desta espécie de texto é Os anos de Aprendizagem de Wilhelm Meister, de Goethe, mas tantos outros exemplos podem ser enunciados, desde David Copperfield ou Grandes Expectativas de Dickens, O Adolescente de Dostoyevsky, A Educação Sentimental de Flaubert, Retrato do Artista enquanto Jovem de James Joyce, Em Busca do Tempo Perdido de Proust, até mesmo à sua adaptação moderna no filme de formação, particularmente do tipo adolescente — Ferris Bueller, Juno, Good Will Hunting, Dead Poets Society, etc. Eis aqui mais alguns exemplos, que agradecemos à professora Elisabete M. Sousa, a mais notável kierkegaardiana portuguesa, o elenco: |
| Machado de ASSIS, Dom Casmurro (1900). Edição em Portugal: Relógio d’Água. ‡Honoré de BALZAC, Illusions perdues (1843). Trad. Portuguesa: Companhia das Letras. Pio BAROJA, Camino de perfección (1902). Sem tradução portuguesa. Thomas Carlyle, Sartor Resartus (1836). Sem tradução portuguesa. ‡Charles DICKENS, Great Expectations (1860-61). Trad. Portuguesa: Publicações Europa-América. ‡Fiódor DOSTOIEVSKI, Podrostok, [O adolescente] (1875). Trad. Portuguesa: Editorial Presença. ‡George ELIOT, Middlemarch (1872). Trad. Portuguesa: Relógio d’Água. Elena FERRANTE, L’amica geniale. Trad. Portuguesa: Relógio d’Água. Gustave FLAUBERT, L‘éducation sentimentale (1869). Trad. Portuguesa: Relógio d’Água. E. M. FORSTER, Maurice. Trad. Portuguesa: Livros Cotovia. Jane GARDAM, Old Filth (trilogia: 2004-2013; ou apenas o 1º vol.). Sem tradução portuguesa. Johann von GOETHE, Wilhelm Meisters Lehrjahre (1795-1796). Trad. Portuguesa: Relógio d’Água. James JOYCE, A Portrait of the Artist as a Young Man. Trad. Portuguesa: Relógio d’Água. Kazuo ISHIGURO, Never let me go (2005). Trad. Portuguesa: Gradiva. Clarice LISPECTOR, Perto do coração selvagem. Edição em Portugal: Relógio d’Água. ‡Thomas MANN, Der Zauberberg (1926); ou Buddenbrooks (1900). Trad. Portuguesa: Gradiva. Robert MUSIL, Die Verwirrungen des Zöglings Törleß (1906). Trad. Portuguesa: Público, Colecção Mil Folhas. ‡Marcel PROUST, À la recherche du temps perdu (1913-1927).Trad. Portuguesa: Relógio d’Água. Eça de QUEIRÓS, A Cidade e as Serras (1901). Várias editoras. Rainer Marie RILKE, Die Aufzeichnungen des Malte Laurids Brigge (1910). Trad. Portuguesa: Relógio d’Água. Philip ROTH, Goodbye, Columbus (1959). Trad. Portuguesa: D. Quixote. Jorge de SENA, Sinais de Fogo (1978). Bertrand. Lev TOLSTOI, Kavkázskaia póvest [Cossacos. Novela do Cáucaso] (1863). Trad. Portuguesa: Relógio d’Água. VOLTAIRE, Candide ou l’optimisme (1759). Trad. Portuguesa: Tinta-da-China. Oscar WILDE, The Picture of Dorian Grey (1890). Trad. Portuguesa: Relógio d’Água. |
