A Estatuária do (e pós) 25 de Abril

Uma galeria deprimente de monumentos à revolução do 25 de Abril de 1974 em espaços públicos dos municípios portugueses, parte da grande tradição de péssimas obras públicas comemorativas na democracia posterior a esse período.

Uma galeria deprimente. A retirada temporária do monumento ao 25 de Abril, da autoria do escultor João Cutileiro, situado no Parque Eduardo VII, a propósito das Jornadas Mundiais da Juventude deste ano de 2023, lembrou muito boa gente, insuspeita de devoção à igreja e com alguma cultura e bom-gosto em arte, que não seria má ideia retirá-lo em definitivo, já que nunca recolheu grande unanimidade quer entre os círculos eruditos quer entre os populares.

Pensámos, por isso, ilustrar aqui uma breve recolha dos monumentos a essa data pelo país fora, verificando assim que não há propriamente nenhum que prime pela beleza irrefutável e pela unanimidade. Incluímos um, localizado no centro de uma rotunda em Lisboa, que não foi projetado inicialmente como monumento é essa data mas é popularmente e de forma hipócrita conhecido como tal — servindo também de imagem de capa deste artigo. É só sobre, apesar de não diretamente ligada com a data, representa o espírito da mesma em termos estilísticos, espírito esse que domina grande parte dos monumentos municipais do período democrático.

Neste conjunto nota-se particularmente a metáfora primária, sem qualquer qualidade nem desenvolvimento, em muitos dos exemplos: o bloco derrubado, a corrente quebrada, etc. Tal situação pode reflectir várias questões: crises da estatuária moderna, crise da arte moderna em geral, arranjos e desarranjos do poder local, etc. Apresentamos assim uma galeria com certeza muito incompleta com os nossos achados. Conhecem outros? Digam-nos! 

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