Fluxus: Uma Antítese

Sobre um movimento tão dispersivo quanto idiossincrático, o Fluxus, um dos mais complexos fenómenos artísticos surgidos na década de sessenta do século passado, que se apresenta hoje capaz ainda de resistir às mais (e menos) exigentes tentativas de interpretação e categorização.

Sobre Democracia e Redes Sociais

Sentados na comodidade da democracia burguesa que fingem desprezar, gritam que a ascensão da extrema-direita é culpa do algoritmo. Esquecem-se, como sempre, que a história não começou em 2024, nem em 1974, e muito menos com a primeira selfie dos políticos.

Transnístria: um Lenine, um edifício e coisas de um estado de faz-de-conta

Sobre a estatuária de Lenine na região da Transnístria, com referências a processos simbólicos geopolíticos, numa leitura comparativa com outros fenómenos semelhantes.

Lidando com a Lídia

Alguns comentários sobre um discurso da escritora Lidia Jorge, de conteúdo muito parcial e pouco unificador, nas celebrações do dia de Portugal de 10 de junho de 2025.

Sobre como a Bula Manifestis Probatum não criou Reino algum, porque ele já existia

Na primeira História de Portugal conhecida, de Fernando Oliveira, no séc. XVI, encontramos um ensaio muito interessante sobre a Bula Manifestis Probatum, que procura demonstrar o facto da Bula não criar Reino algum, porque ele já existia.

Crítica: Os perigos da direita radical: Bolsonaro, Ventura e não só!, de Carlos Martins

Publicado em 2023 pela Saída de Emergência, a obra Os Perigos da Direita Radical propõe uma análise comparada da direita radical no período pós‑2ª Guerra Mundial. Destinado sobretudo a um público geral, mas com implicações relevantes para o debate académico, o livro apresenta os fundamentos históricos e ideológicos das correntes da direita radical.

A milícia dos Besteiros do Reino, a história dos mesmos 

Excerto de A Arte da Guerra em Portugal, de Miguel Gomes Martins, sobre a história da milícia dos besteiros do reino de Portugal.

Em Louvor dos Calvos ou uma proposta de aproximação De Laude Calvorum de Hucbaldo ao Português

A História jamais se repete, embora as histórias que a compõe por várias vezes rimem. No século VIII, tal como no corrente, a figura calva foi vítima de variadas chacotas, o que levou o monge Hucbaldo, cuja reputação corria por toda a Europa, a compor um texto aliterativo, em latim, em defesa dos seus calvos congéneres. Aqui, propomos uma tradução em português da nossa autoria.

Mudança da Hora: uma história entre o tempo, a luz e os relógios

Hoje em dia, temos como certa a alteração da hora no último domingo de Março e de Outubro. Esta norma comum em toda a União Europeia nem sempre foi consensual ou linear. A mudança da hora tem raízes históricas profundas e está intimamente ligada à evolução da medição do tempo, à relojoaria e aos ritmos sociais e económicos das últimas gerações.

Uma Cantiga de Escárnio a um Nobre de Guimarães e à sua família, no tempo de D. Afonso III

Uma Cantiga de Escárnio a um Nobre de Guimarães, D. Rui Gomes de Briteiros, e à sua família, no tempo de D. Afonso III, por estes não armarem bem os seus homens para a Guerra (transcrita em Português corrente).

Slavery from Aristotle to Fitzhugh: Between Savagery and Civilization

Historical thinkers like Aristotle, Ibn Khaldun, Sepúlveda, Montesquieu, Locke, Hegel, Kant, Mill, Carlyle, Fitzhugh, and Rousseau viewed slavery as a tool to civilize savage peoples. Through enforced labor, cultural mimicry, and imposed order, they believed it transformed chaotic societies into disciplined, productive ones, integrating them into higher systems of faith, reason, and industry.

O Teorema das Quatro Cores: Importância Filosófica

Qual o número mínimo de cores necessárias para colorir um mapa? Procura ilustrar-se como o processo de demonstração do Teorema das Quatro Cores alterou a Matemática a nível das práticas, das técnicas utilizadas e na sua Filosofia.

Edição: Maio 2025

Em sentido: espaços desportivos e memória, immigration in the usa, choro dos homens na literatura, direitos de seres sencientes, assédio e relações na academia, o engodo da Cocanha, guerra, meio-ambiente e boicote, tectos de rendas, 12 angry men, metaficção em Harvey, Tarantino gasto, Peter Lely e a nobreza inglesa, alcunhas medievais, as mulheres portuguesas.

Albatrozes — As Enfermeiras Pára-Quedistas na Guerra Colonial

Breve descrição com alguns depoimentos que ilustram a vida e acções das enfermeiras pára-quedistas na guerra colonial portuguesa.

Sobre o ciclo anual de atividades rurais e comunitárias em uma vila medieval portuguesa

Excerto de José Mattoso sobre o ciclo anual de atividades rurais e comunitárias em uma vila medieval portuguesa, alinhado ao calendário litúrgico e às estações, com tarefas como matança de porcos, troca de ofícios, reparos no castelo, celebrações e gestão de recursos agrícolas e judiciais.

Edição: Abril 2025

Governo sombra: novidades tecnológicas na educação, mudança de sexo como fraude médica, autogestão da sogantal, metafísica do amor, racionalidade como sobrevivência, o que os outros vêem em nós, ano da física quântica, procissão de abril como celebração datada, Portugal medieval, artes visuais, os limites da ciência, cinema italiano e art of the deal.

Peter Lely: Galeria de Retratos da Nobresa Inglesa do séc. XVII

Abundante galeria com os trabalhos de Peter Lely, um pintor holandês que retratou numerosas figuras da corte inglesa de Carlos II, no século XVII.

Duarte Nunes de Leão sobre as mulheres Portuguesas

Trecho de Duarte Nunes de Leão, do séc. XVI, que escreveu um capítulo na sua "Descripçam do Reyno de Portugal" sobre as mulheres Portuguesas.

O Engodo da Cocanha

O mito de uma terra onde o vinho jorra das fontes, comida e bens estão à disposição de todos, o trabalho é desnecessário, o conforto e o bem-estar estão garantidos, assim como a eterna felicidade assente no prazer sem fim: essa terra é Cocanha. Estamos no eterno caminho dessa mitologia que políticos e governantes invocam inconscientemente, brandindo-a em sua ideia como um engodo para obter suporte à sua governança.

Algumas alcunhas obscuras e cómicas na Idade Média Portuguesa

Algumas alcunhas obscuras e cómicas, até mesmo tornadas apelidos, na Idade Média Portuguesa. Descrição adaptada da obra O ser humano, fonte de humor na sua identificação, de Iria Gonçalves.

O Papel dos Espaços Desportivos Enquanto Repositórios de Memórias

Sobre como os espaços desportivos são capazes de transcender a sua materialidade e imobilidade para serem constituídos enquanto repositórios da memória coletiva, na medida em que podem ser tidos em conta como mais do que simples instalações destinadas à prática ou à exibição de desportos.

Military, Geographical, and Cultural Differences Between the Vietnam and Iraq Wars: An American Perspective

On how the Vietnam and Iraq wars are defined by distinct strategic, operational, and environmental contexts, as they differed in military approaches, technological capabilities, logistical frameworks, geographical settings, and cultural dynamics. These differences shaped the experiences of American soldiers and the public’s perception of the wars.

A História e o Funcionamento Técnico das Horas Temporais

Vivemos num mundo onde o tempo é uniformemente medido, com cada hora a representar o mesmo intervalo. Nem sempre foi assim: Durante um período significativo da história, o tempo era ajustado às variações naturais do dia e da noite. Este sistema das horas temporais dividia o dia em 12 partes de luz e 12 partes de escuridão, cuja duração variava ao longo do ano, refletindo o ciclo das estações e respeitando os ritmos da natureza.

Sobre o costumeiro pão de cada dia do Português Medieval, um estudo de caso

Sobre o costumeiro pão de cada dia do Português Medieval, um estudo de caso. Excerto da obra À mesa nas terras de Alcobaça em Finais da Idade Média, de Iria Gonçalves.

As Festividades do 25 de Abril: Uma Reflexão Crítica sobre o Legado da Revolução

Anualmente, uma procissão da burguesia intelectual de esquerda, advinda de toda a área metropolitana de Lisboa, já sem apoio relevante das antigas classes operárias, e à qual a maioria da população local de Lisboa é alheia, celebra um golpe de estado com cinquenta anos que já diz pouco à maioria dos portugueses.