A principal indignação da semana passada em Portugal girou à volta da banca e dos cartazes do Chega na Futurália. Se já é discutível a mera presença de partidos políticos num espaço reservado às escolhas profissionais e académicas dos jovens – assunto sobre o qual só por si poderia discorrer morosamente –, o 2º maior partido na AR conseguiu levar tal vitupério mais além. Acredito que todos tenhamos lido e relido as frases, mas quero destacar a principal: “Sorria! Estamos a ser substituídos”.


Não pretendo ir por simples adjetivos pejorativos repetidos ad nauseam acerca desta e de outras ações similares. Este não é o espaço para o fazer, e serve um propósito pouco maior do que fomentar sectarismos e entrincheirar ainda mais todos os envolvidos. Prefiro falar do porquê de uma das mais disseminadas e aceites ‘verdades’ no Ocidente, na realidade, não o ser.
A suposta substituição populacional do Ocidente, em especial da Europa, não é de modo algum uma conversa nova. Os seus defensores tendem a resumir a sua argumentação a um simples, rápido e eficaz “é estatística”. O problema é que se baseia numa interpretação errada dos dados. Aliás, ainda que lhes fossem mais favoráveis, esta estatística impossibilita a extrapolação que é a “extinção por substituição”.
Dizer que imigrantes de 1ª e de 2ª gerações oriundos de países africanos, árabes ou sul-asiáticos têm uma maior presença na demografia europeia não equivale a dizer que a população indígena branca da Europa, como descrita por muitos daqueles que partilham desta visão, está a ser substituída por uma não-branca e tipicamente não-Cristã.
Esse aumento é uma realidade estatística, ainda que bem mais marginal do que se pensa. Desde 2012, a UE tem consistentemente apresentado um crescimento natural negativo. Já o número de imigrantes extracomunitários subiu para 44,7 milhões, menos de 10% da população (Eurostat, 2026; Frattini & Pulito, 2025). Vale lembrar que nem todos estes vêm das regiões mencionadas: e.g., em Portugal, a imigração brasileira é esmagadoramente superior a qualquer outra, compondo quase um terço da nossa população estrangeira. (AIMA, 2025)
Por outro lado, esta percecionada ameaça externa, conhecida como “teoria da Grande Substituição”, tem uma carga histórica tal, e baseia-se em pressupostos tão radicalmente diferentes, que não se pode comparar, muito menos resumir, aos dados apresentados.
O termo foi cunhado e popularizado pelo escritor francês Renaud Camus no seu livro epónimo de 2011. Neste quase-manifesto, o autor proclama que a civilização e cultura francesas estavam a ser ameaçadas pela presença muçulmana no seu país.
Esta conversa não é de agora. Já na primeira metade do séc. XIX, o mesmo se dizia EUA afora acerca de migrantes irlandeses e alemães. Foi ganhando força com a imigração cristã do Sul da Europa das décadas subsequentes, em especial a de Itália. Desde então, tem sido uma retórica constante face às mais diversas comunidades estrangeiras e minorias étnicas, como Judeus, Japoneses, Chineses, Afro-americanos, Árabes, Muçulmanos e Latino-americanos.
A Grade Substituição faz parte da mais-que-centenária teoria do “genocídio branco”, partilhando das mesmas ideias-base. Sucintamente, ambas assentam em quatro pressupostos fundamentais:
- Que a imigração, pelo menos na dimensão atual, é um fenómeno inédito na história do Ocidente;
- Que é perigosa, não apenas a nível da segurança, mas em especial a nível cultural e demográfico;
- Que o seu crescimento é contínuo e incessável se nada se fizer;
- Que é deliberadamente perpetrado por uma elite que está ou vai beneficiar com isso – o velho cliché da elite política global, apesar de cada ‘tradição ideológica’ ter um foco maior ou menor no elemento antissemita.
Se olharmos para a França oitocentista e da viragem para o centénio seguinte, autores como Édouard Drumont e Maurice Barrès defendiam a Grande Substituição ante litteram, alertando quase ipsis verbis para as mesmas ameaças de que Camus viria a falar dali a mais de um século. Afirmavam que “novos franceses” inumanos “sem capacidade de assimilação”, principalmente de origem magrebina e subsariana, se tinham “infiltrado” e desejavam “impor” o seu ‘modo de vida’, numa espécie de ‘civilização reversa’. Este processo era tudo parte de uma “conquista judaica” que, se bem-sucedida, seria a “ruína da pátria francesa” e do que fazia dela “especial” (Kauffmann, 2016).
Vou tentar desmistificar todos estes quatro pontos.
A população imigrante dos principais países europeus tem sido relativamente estável nos últimos 50 anos, situando-se entre os 10-15%, com poucas e triviais exceções (de Haas, 2023). Isto mostra que mesmo em países onde esta aumentou, como Portugal, foi para valores dentro desta norma. A imigração irregular – ou “ilegal”, como muitos lhe errónea e desumanamente chamam – também não chega para justificar a suposta invasão estrangeira. Em país algum da Europa as estimativas desta chegam aos 2%, geralmente ficando-se pela metade ou por valores próximos.
Estendo-me mais além do que falar unicamente na imigração. Se o fizesse, não englobaria de forma totalmente satisfatória o elemento etnocêntrico tão basilar nestas teorias. Acontece que, nem em países como o Reino Unido – exemplo-mor de lugar onde essa tal “substituição” está a acontecer a todo o vapor – as minorias étnicas representam algo perto disto, compondo apenas cerca de 17% da população, de acordo com o censo de 2021.
Relativamente ao quão “perigosas” estas comunidades são, a relação entre criminalidade e heterogeneidade social (termo que aqui utilizo para englobar questões como imigração, e diversidade étnica/racial, religiosa, linguística e cultural) é complexa, e entender na plenitude todas as suas nuances seria impraticável neste artigo. Comunidades menos homogéneas tendem a ser menos pacíficas (Wo, 2022), mas tal é consequência da forma como os diferentes grupos sociais interagem, e não de quaisquer traços intrínsecos, ou por simplesmente não pertencerem ao mesmo grupo (Sampson & Lauritsen, 1997)). O que provoca um aumento da violência não é tanto a heterogeneidade per se, mas a polarização e o domínio étnicos (De Soysa & Noel, 2020).
Mesmo nos países onde se verificou um aumento da criminalidade relacionado com a imigração, como Suécia e Alemanha, tal se deve a fatores maioritariamente socioeconómicos, em particular uma profunda falta de integração dessas comunidades por parte dos agentes estatais e sociais. Esta segregação tem também fortes aspetos étnico-culturais, sistematicamente desvalorizados, fruto de um viés do preconceito implícito que alimenta o racismo estrutural e individual, muitas vezes inconsciente, da população ocidental (Morehouse & Banaji, 2024). A relação causal entre criminalidade (enquanto variável dependente), e pobreza, desigualdade, discriminação, desemprego e precariedade laboral, falta de estabilidade financeira e familiar, falta de socialização intergrupal, segregação económica, e exclusão social (enquanto variáveis independentes) está ampla e plenamente analisada – para desconsolo da nossa ex-ministra da Administração Interna Margarida Blasco e muita outra gente que gostar de pensar o contrário por conveniência.
Se os exemplos dados dos grupos de imigrantes nos EUA, supostas ameaças à cultura estadunidense, não chegarem para desmistificar essa retórica, acrescento alguns pontos.
Cultura é um conceito bastante fluido e abstrato. Experimentem dizer a alguém do Norte que tem a mesma cultura que alguém de Lisboa e vejam a maior parte das reações. Admito que este é um exemplo meramente ilustrativo, que não consigo fundamentar com rigorosos dados empíricos, por contrapartida recomendando a leitura do trabalho de José Manuel Sobral (2004).
Podemos, ainda, ser mais idealistas e questionar não apenas as características que compõem a “portugalidade” – na cabeça dos que a acham algo nítido, atemporal e inalterável –, mas também o que se quer dizer por cultura e quais os seus elementos definidores. Se quer designar um conjunto de valores morais, então dificilmente alguém conservador e alguém progressista podem partilhar de uma mesma. Se se baseia no Catolicismo, então está a desaparecer com o mero crescente ateísmo das novas gerações, que ficam proibidas de ir aos Santos Populares pois isso seria sacrilégio. Se engloba tudo o que são tradições, entendidas como meros hábitos e atitudes costumeiras, então porque não incluir a violência doméstica, ou o mandar pessoas para a terra delas mesmo que tenham nascido a meia dúzia de quilómetros?
Considero necessário fazer uma ressalva como forma de clarificar o meu ponto. O que estou a argumentar não é que cultura, enquanto conjunto dos elementos característicos de uma comunidade, não exista; é, sim, que, por ser um conceito tão abstrato, torna ilógica qualquer tentativa de o consubstanciar, muito menos de o tornar uma realidade praticamente axiomática.
Além disso, toda e qualquer cultura está em constante evolução, em especial num mundo mais globalizado do que nunca. É um processo gradual e paulatino, mas natural, motivado por fatores individuais, contextuais e conjunturais, e que não leva à extinção de costumes que a maior parte das pessoas pretenda manter. O fim imposto de uma cultura só ocorre quando tal é feito sobre aqueles que não se conseguem defender. Vejamos o que foi tentado com os Irlandeses entre o séc. XVII e o Renascimento gaélico, ou com os Bascos, Galegos e Catalães durante o Franquismo, sem mencionar exemplos do colonialismo extraeuropeu. Arrisco-me a dizer que tal ameaça não existe por parte de uma comunidade como a indostânica, que corresponde a menos de 2% dos residentes em Portugal e é cada vez mais marginalizada.
Alterações populacionais baseiam-se em tantos e tão complexos fatores que torna leviano considerar uma substituição quase total de uma população nativa. Taxas de fecundidade, natalidade e mortalidade, migração, a pirâmide etária; todas estas variáveis se alteram de tal forma ao longo do tempo que é impensável ser possível a aniquilação da pátria que preconizam.
É verdade que a natalidade na Europa é baixa e que imigrantes de países mais pobres tendem a ter mais filhos. No entanto, esta é uma tendência que não é de todo uniforme, variando de acordo com o país de origem e com a idade – por exemplo, no Reino Unido, mulheres bangladechianas e mulheres paquistanesas entre 20-40 anos têm distintos níveis de fertilidade entre si, tendência que deixa de existir a partir dessa idade (Wilson, 2019). Num geral, a diferença entre nativos e imigrantes cessa com as gerações seguintes, quer pela melhoria das condições de vida, quer pela adaptação das mulheres às normas do novo contexto onde vivem (Kulu et al., 2017; Mussino & Cantalini, 2024). Entre grupos étnicos, fatores como o nível socioeconómico, a educação e o acesso a cuidados de saúde explicam as possíveis disparidades. Uma das únicas exceções são mulheres hispânicas estadunidenses, onde a diferença pode ser também justificada por normas culturais (Zang & Kaphle, 2023).
Além disso, a imigração ocorre em vagas, longe de ser constante e continuamente crescente como alguns tentam fazer crer. Mesmo se as tendências atuais persistirem e a proporção da população com uma origem imigrante continuar a aumentar, tal aconteceria a um ritmo cada vez mais lento (Jostein Grytten et al., 2024). Acresce o facto de que as gerações subsequentes simplesmente começam a assimilar-se de forma natural com o resto da sociedade, levando a uma diminuição do apego e identificação étnico-raciais, bem como dos traços físicos caracterizadores – processo conhecido por diluição étnica (Duncan & Trejo, 2018; Song & Gutierrez, 2015).
Decidi pedir a algumas ferramentas de inteligência artificial (que variaram entre as de uso mais comum como OpenAI, até outras de uso mais científico e académico como o Consensus) diversas estimativas acerca de possíveis futuros cenários demográficos para diferentes países. Tive de insistir que estas podiam assumir uma persistência dos níveis atuais de crescimento natural e imigração – algo que, como já referi, é por si irrealista e incondizente com a realidade. Visto cada país utilizar uma definição diferente de minoria étnica, baseei-me numa mais consensual e percetível medida de “populações não-nativas” (incluindo outros brancos). As projeções mais ‘generosas’ apontavam que estas poderiam ser maioritárias em países como França, Alemanha e Reino Unido entre o último quartel do séc. XXI e as primeiras décadas do centénio seguinte. Se colocarmos a barreira nos 75%, as estimativas apontam para não antes de 2150. No caso de Portugal, seria necessário esperarmos mais de cem anos por essa mudança da população nativa de maioria para minoria. A única projeção que encontrei a nível da Europa Ocidental num todo estima que, em 2100, a população de origem europeia seria 45%, tendo por base o mesmo pressuposto de que o atual ritmo de alteração demográfica se manteria.
Essencialmente, com este exercício, quero evidenciar que: as previsões de substituição demográfica se baseiam em princípios desajustados ao que o mundo real e a história nos mostram; ainda que tal acontecesse, não estaria para breve.
Por último, teorias da conspiração de uma elite global judaica são tão antigas e surradas que aborrecem. Mas para não parecer que me estou a esquivar do assunto, de salientar que muitas dessas populações imigrantes, em especial homens, têm tendencialmente visões conservadoras – pense-se, por exemplo, no porquê de Modi ser tão popular na Índia. Mesmo que discordem desta afirmação, importa entender que aqueles que acreditam nessas teorias, ao dizerem que estas comunidades discriminam bastante mais as mulheres e pessoas LGBTQ+, estão a descrevê-las como conservadoras. A realidade é que a propensão para imigrantes e minorias étnicas votarem em partidos de esquerda vem principalmente do facto de se sentirem discriminados no país onde residem (Oshri & Itzkovitch-Malka, 2025). Esta tendência tem vindo a diminuir em países como Reino Unido e EUA (Burn-Murdoch, 2024), onde homens hispânicos votaram mais em Trump do que em Harris em 2024.
Se há quem ainda queira afirmar que uma elite política liberal tenta manipular a demografia para ganhos eleitorais, então, por inerência lógica, são essas mesmas pessoas e os partidos nos quais votam que ajudam a que tal aconteça, ao alimentarem uma retórica anti-imigração.
Atirar para o ar afirmações como “estamos a ser substituídos” foi o que normalizou uma conversa profundamente destrutiva e que não é de somenos. É a base de um pensamento desumanizante que, quando vira fundamentalismo, se torna fatal. Só em 2019, tragédias como as de Christchurch, NZ, e de El Paso, TX, resultaram no massacre de 71 pessoas. Não estou a dizer que quem profere coisas assim é cúmplice destes crimes. Mas não achar que tal ajuda a propagar e cimentar estas ideias é não querer entender as consequências das palavras. Aliás, o simples facto de classificar os imigrantes não-brancos como uma ameaça existencial gera uma reação biológica reflexiva comportamental que é tudo menos amistosa, quer leve à violência física, quer leve à mais disseminada e aceite violência social.
Não questionar as próprias crenças e ações é compreensivelmente cómodo. Entendo o medo subconsciente de que essa introspeção possa despertar um sentimento de culpa desconfortável e até mortificante, difícil de afastar. Ninguém gosta de estar errado, e até eu tive de me confrontar com algumas das minhas ideias durante a elaboração deste artigo. (In)felizmente, é necessário fazê-lo. Porque pior do que a culpa, é sentirmo-nos constantemente intimidados pelo próximo, quer essa ameaça seja real, quer não.
Findo deixando-vos com a seguinte reflexão: é mais inquietante a culpa momentânea, com a qual cada um de nós pode lidar, ou o eterno medo, incessante enquanto se mantiver a ilusória perspetiva de que a nossa própria existência tem os dias contados?
Referências
https://www.rfberlin.com/wp-content/uploads/2025/04/The-Immigrant-Population-in-the-European-Union.pdf (Frattini & Pulito, 2025)
Agência para a Integração, Migrações e Asilo de Portugal, Relatório De Migrações E Asilo 2024 (não obstante o INE ter suspendido as suas publicações sobre imigração e população estrangeira por falta de fiabilidade dos dados do Governo) https://aima.gov.pt/media/pages/documents/fec4d6a712-1760603125/relatorio-migracoes-e-asilo-2024.pdf
Burn-Murdoch, J. (2024, October 11). The left is losing its grip on ethnic minority voters. Financial Times. https://www.ft.com/content/84b81600-d107-4050-80cf-1d1e276ea54d?syn-25a6b1a6=1
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Duncan, B., & Trejo, S. J. (2018). Identifying the Later-Generation Descendants of U.S. Immigrants: Issues Arising from Selective Ethnic Attrition. The ANNALS of the American Academy of Political and Social Science, 677(1), 131–138. https://doi.org/10.1177/0002716218763293
Jostein Grytten, Skau, I., & Rune Sørensen. (2024). Fertility and immigration: Do immigrant mothers hand down their fertility pattern to the next generation? Evidence from Norway. Economics & Human Biology, 52, 101339–101339. https://doi.org/10.1016/j.ehb.2023.101339
Kauffmann, G. (2016). Le Nouveau FN. Les vieux habits du populisme. Média Diffusion.
Kulu, H., Hannemann, T., Pailhé, A., Neels, K., Krapf, S., González-Ferrer, A., & Andersson, G. (2017). Fertility by Birth Order among the Descendants of Immigrants in Selected European Countries. Population and Development Review, 43(1), 31–60. https://doi.org/10.1111/padr.12037
Morehouse, K. N., & Banaji, M. R. (2024). The Science of Implicit Race Bias: Evidence from the Implicit Association Test. Daedalus, 153(1), 21–50. https://doi.org/10.1162/daed_a_02047
Oshri, O., & Itzkovitch-Malka, R. (2025). Muslims’ Vote Choice: Exclusion and Group Voting in Europe. Politics and Governance, Vol 13: Unequal Participation Among Youth and Immigrants: Analyzing Political Attitudes and Behavior in Societal Subgroups. https://doi.org/10.17645/pag.9313
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