Sobre Rebecca, um ensaio fotográfico de Joana Fontinha, projecto que cultiva a alma espectadora com a lição do amor – do amor não correspondido, por exemplo, ou dos amores em que num par um se sobressai do outro nos afetos, nas carícias, nos desejos.
Alguns apontamentos notáveis sobre a relação entre o cristal e as suas figurações na literatura, na filosofia e na arte, explorando o diamante e a faca em The Man of the Crowd de Poe como metáforas literárias e filosóficas, traçando a evolução da imagem cristalina desde Dante e Stendhal até à ciência oitocentista, Sand, Verne e o cinema, entre caos, ordem e legibilidade.
Dress stories from the 1900 to the 1980s: a monumentally interesting essay consisting of a series of illustrated tales that speak a little of the ways in which the items that have clothed us can be used to tell stories.
Parte ode, parte biografia, sobre o herói improvável Eddie the Eagle, esquiador olímpico em 1988, uma autêntica ave rara das ilhas britânicas, que passou, na qualificação e durante a própria competição olímpica, por uma série de inúmeras peripécias que vale a pena revermos.
Nota editorial sobre como as universidades só se podem colocar ao lado do tipo de sociedade onde as liberdades de pensamento e de expressão de facto existem, e não das sociedades onde essas liberdades tendencialmente ou em absoluto não existem.
Sobre as caricaturas do Imperador brasileiro D. Pedro II, tendo como suporte alguns desenhos humorísticos de artistas como Rafael Bordalo, em O Mosquito ou O Besouro, e Angelo Agostini, na folha literária Revista Illustrada.
Em “mother!”, de Aronofsky, o escritor (Bardem) cria um poema que transforma o mundo e atrai multidões fanáticas à casa onde vive com a companheira (Lawrence). Alegoria violenta sobre criação literária e física, civilização vs. selvajaria, com simbolismo bíblico e referências a fanatismo e caos.
Crítica à obra Avalanche de Marta Chaves: do amor aos monósticos e dísticos, os versos demasiado trabalhados sem que os precedentes e posteriores sejam de igual finura, as metáforas vazias e as hipérboles impróprias.
Sobre momentos de reconhecimento moral na comédia romântica Pretty Woman, de 1990, com Julia Roberts e Richard Gere: analisa-se a ambiguidade, explorando a transformação do guião original num conto de fadas e reflectindo sobre juízos de valor acerca das pessoas baseados em critérios como dinheiro, moral e bom gosto.
Um louvor do romancista novecentista português Júlio Dinis, por vezes imerecidamente visto como escritor menor: defende-se A Morgadinha dos Canaviais contra as acusações de leveza, exaltando a convivência de sensibilidades romântica e realista, a simbologia, os valores familiares e as lições morais da obra.
On Donald Trump: an extra-moral analysis, as detailed and comprehensive as possible, of the mental ground where he operates, setting aside common myths about businessmen, politicians and artists/poets, that often contribute to a distorted view of his native mental mode and characteristic ethics.
O conto de fadas em Paula Rego tem o tom de revolta de uma mulher-cão: contradictio in terminis assumida pela pintora, que surge retratada como um ser estranho — anjo perverso e vingativo — com algo de belo, mas intocável e intangível.
Considerado um jogo menor no catálogo da Rockstar, Bully pode ser descrito como um aperfeiçoamento da fórmula que tornou os seus predecessores tão famosos, chegando mesmo a superiorizar-se, em aspetos, aos títulos Grand Theft Auto.
Na película Mother, de Darren Aronofsky, a associação da figura do Artista ao Deus hebraico — o grande criador por excelência — não é uma ideia nova: mas talvez essa comparação nunca tenha sido explorada de forma tão pungente e destemida, em que Deus e Artista são uma só entidade.
Não há hoje argumentista norte-americano mais conhecido do que Charlie Kaufman. A sua influência é tão notória que alguns filmes cujos argumentos escreveu e não realizou são referidos como se tivessem sido realizados por ele.
Recordando António Nobre, poeta decadentista longe das lamúrias Bernardinianas ou do coração arrítmico de Pessanha, o mais lusitano de verbo, caso singular de entre os demais que partilharam com ele o sentimento da tristeza e o seu estado condescendente, a melancolia.
Comprehensive collection of information on Fiodor Dostoievski's works in Portugal: list of full published bibliography, history of translations, list of first and subsequent translations, and notes on the reception by Portuguese writers of the 20th century
A ciência e o cinema: como se realizavam os primeiros filmes, que instrumentos eram utilizados e que evolução tiveram, e o efeito que o cinema produz na nossa percepção e nas nossas mentes, desde o uso dos efeitos sonoros até às especificidades das cores.
O que podemos dizer dos judeus portugueses, que no início do século XVI já se viam como espetros do passado? Onde estão? Onde estão os habitantes das judiarias das cidades de Portugal? E os sobreviventes do genocídio? Estão entre nós. Somos nós, de alguma forma longínqua.
Breves reflexões sobre a aparente divisão de método, de objecto e de definição substancial entre a escola analítica e a escola continental na tradição da filosofia do ocidente.
Com base em Stuart Hall, descreve-se o cinema como espaço crítico (activo, de recepção negociada/contrária) ao mesmo tempo que escapista (passivo). Historicamente é refúgio (Grande Depressão, actualidade com blockbusters), mas o pensamento crítico é essencial.
A Rosa Púrpura do Cairo (Woody Allen, 1985) é uma ode ao cinema, ao sonho e à barreira/fusão entre ficção e realidade. Cecilia escapa à dura vida na Depressão através dos filmes, mas a personagem Tom Baxter salta da tela. Explora-se o escapismo, o duplo actor/personagem, livre arbítrio e a magia ilusória do cinema versus a crua realidade.
Lançado em abril de 1995, o álbum de estreia dos portugueses Moonspell é, ainda hoje, considerado um momento de viragem na história da música nacional.