Palavras Mal Usadas #2 — Deadnaming e afins

Sobre palavras mal usadas, e aproveitando o destaque pós-moderno de certos neologismos pronominais ligadas a identidades de género, evidenciamos o absurdo social das nomenclaturas e formas de tratamento, em particular nas sociedades mais ortodoxas e provincianas.

Aproveitando o destaque pós-moderno de certas formas pronominais agramaticais ligadas a identidades de género, queremos evidenciar o aspecto de eventual absurdo social das nomenclaturas e formas de tratamento, em particular nas sociedades mais ortodoxas e provincianas. Com efeito, desde o senhor doutor, o senhor engenheiro, o “nome antigo“ e o “nome novo” nos transgénero, as alcunhas locais, os segundos nomes, os nomes de solteiro e os nomes de casado, os diminutivos de infância, o tratamento pelo nome próprio ou antes pelo apelido, os apelidos formados a partir de profissões, etc. Qualquer um destes exemplos de situações comuns pertence à mesma categoria e fundamentalmente não reflete nenhuma questão de substância mas sim de negociação social: não existe nem é suposto existir uma identidade de nome absoluta e estanque, e qualquer exercício de levar demasiado a sério, acima do que merece, apresenta provavelmente uma situação mental e social privilégio de quem tem muito tempo livre, não tem vida própria, ou é neurótico. Não é por alguém se licenciar, atingir a maioridade etária ou mudar de sexo que tem o direito de exigir aos outros tratamento imediato pelo novo título. A linguagem e as interacções sociais são por natureza questões de negociação mútua e não de imposição autoritária, e é isso que queríamos destacar aqui. 

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