Sugestões de Leitura: Novidades na Filosofia, Maio 2026

Sempre com a ajuda das preciosíssimas Notre Dame Philosophical Reviews, trazemos as últimas novidades no mercado editorial da filosofia de Maio de 2026. Eis aqui as já típicas oito sugestões que fazemos todos os meses.

Primeiro, Andy Hamilton, em Art and Entertainment: A Philosophical Exploration (Routledge, 2024), investiga as fronteiras entre arte e entretenimento, questionando se a distinção tradicional ainda faz sentido na cultura contemporânea e defendendo que ambas compartilham dimensões estéticas, emocionais e sociais, embora com diferentes pretensões de profundidade e valor. Giles Pearson, em Aristotle on What Emotions Are (Oxford University Press, 2024), oferece uma análise detalhada da teoria aristotélica das emoções, argumentando que elas são formas de percepção avaliativa intimamente ligadas à razão e à virtude, reconstruindo o conceito de pathê como componentes centrais da psicologia moral do Estagirita. A.G. Long e Barbara M. Sattler, em Parmenides: New Perspectives (Oxford University Press, 2025), organizam uma coletânea inovadora que traz abordagens contemporâneas ao pensamento de Parmênides, explorando temas como ser, não-ser, verdade e cosmologia a partir de perspectivas analíticas, históricas e comparativas. Sarah Conly, em The Limits of Liberty (Oxford University Press, 2025), examina criticamente os limites do conceito liberal de liberdade individual, defendendo que intervenções paternalistas podem ser justificadas em nome do bem-estar quando as escolhas humanas são sistematicamente irracionais ou autodestrutivas.

Depois, Benjamin Miller, em Against Aristotelian Character Education: Practical Wisdom, Flourishing, and Liberal Democracy (Routledge, 2025), critica os programas contemporâneos de educação de caráter inspirados em Aristóteles, argumentando que o foco na sabedoria prática e na formação de virtudes é incompatível com os valores pluralistas e autónomos da democracia liberal. M. Oreste Fiocco, em Time and the World: Every Thing and Then Some (Oxford University Press, 2024), desenvolve uma metafísica original do tempo, defendendo que o tempo é fundamental à existência de todas as coisas e propondo uma visão unificada em que a temporalidade é condição ontológica para a realidade concreta. Steven Lukes, em The Diversity of Morals (Princeton University Press, 2025), explora a tensão entre universalismo e relativismo moral, analisando como diferentes culturas e contextos geram concepções morais distintas sem abandonar completamente a possibilidade de juízos morais racionais e comparativos. Por fim, Vassilis Livanios, em The Metaphysics of Powerful Qualities: Powerful Categoricalism and the Laws of Nature (Routledge, 2025), defende uma teoria das qualidades poderosas (powerful qualities), combinando disposicionalismo e categoricalismo para explicar as leis da natureza, oferecendo uma alternativa robusta aos modelos puramente humeanos ou necessitaristas.