A brincadeira algum dia teria de acabar mal. Por brincadeira referimo-nos à recente moda, absolutamente primitiva, animalesca e cultista da ignorância, de danificar obras de arte em protesto. Se frequentemente as mesmas se encontram, em museus, por detrás de vidros protectores, que impedem que os típicos ataques de tinta não as desifgurem irreversivelmente, hoje não foi assim. Hoje, no Trinity College, em Cambridge, Reino Unido, manifestantes pró-palestina destruíram a pintura de Lord Balfour, primeiro-ministro inglês do início do passado século responsável por uma declaração a favor de um estado judaico. Destruíram-na não só com tinta mas também a golpes de faca, parcelando-a e deixando a sua recuperação em tons muito duvidosos. É este o destino das brincadeiras abusivas das “crianças”: deixa-se abusar, e as mesmas esticam a corda até partir e até chegar ao ponto em que o ensaio de dano se torna dano irreversível. Para o “activista” protestante, educado no fanatismo e na neurose, nada mais existe além “da causa”, seja a palestina, o ambiente ou o mundo em geral. E um neurótico sob ameaça existencial é capaz de tudo, até da ameaça à vida humana. Tivemos hoje assim a consequência, resultando em algo que no mundo ocidental é um abuso grave: a destruição de património cultural e artístico. Partilham com outros “activistas” noutras partes do mundo e da história semelhantes comportamentos: os Taliban, incorrigíveis iconoclastas, e o regime nacional-socialista alemão, notórios psicopatas avessos a manifestações de cultura estranha à sua. Pedimos assim a quem deixou que a brincadeira continuasse, entendendo que não era assim tão grave, tenha agora vergonha. Entre esses incluímos o poder político, os apologias do “activismo” extra-legal e extra-moral, a comunicação social e todos os que vêem em adultos de vinte e muito anos uma espécie de crianças rebeldes à descoberta do mundo ao invés dos embriões de psicopatas que realmente são. Fica para reflectirem, em jeito de nota editorial, com sadios e francos desejos de um bom fim-de-semana para todos.
Outros Artigos
Os materiais dos Instrumentos Filarmónicos
Da madeira densa da granadilha ao brilho do latão, das peles naturais ao Kevlar moderno, cada material usado nos instrumentos de uma banda filarmónica transporta uma história de natureza, técnica e cultura. A escolha da matéria-prima não é apenas uma questão de construção: é ela que molda o timbre, a resistência e até a identidade da música que chega ao público.
Palavras Mal Usadas #4 — Oligarquia, Sororidade, Liberal, Queer, etc.
Recuperamos uma rubrica a que pontualmente acrescentamos algumas entradas, sempre dominadas pelo seu uso contemporâneo — e às vezes o critério de contemporâneo pode ser tão estrito como a recorrência do uso de determinada palavra ao longo de período curto de poucos meses.
O Cinema Inicial como Substituto das Artes Figurativas Tradicionais
Onde se questiona se que o advento do cinema implica uma rotura com tipos de representação mais familiares (i.e. as artes figurativas ditas tradicionais, como a pintura e a escultura) que existiam antes. A resposta é, na verdade, antes pelo contrário.
