Edição: Agosto 2025

Em diante: inquisition as legal innovator, registo internacional de navios, mulheres Samburu, imagem de Camões, detesto ciclistas, gerontocracias, Madina do Boé, há mouros na costa, Inês Cannas, John Philip Sousa, padronização do tempo, Portugal nos armoriais estrangeiros, crónicas de Jean Froissart, Fátima de Canijo, abril pelas direitas.

ENSAIO

Registo Internacional de Navios: Portugal, um Novo Atrator Fiscal?

Tal como as pessoas, também os navios necessitam de uma nacionalidade que os identifique. Se para as pessoas a nacionalidade dos progenitores, do cônjuge, o país de nascimento ou país de vivência por um longo período poderão definir a nacionalidade, para os navios, já não é bem assim: a nacionalidade concedida não tem de possuir alguma relação com a nacionalidade ou com o país de residência dos seus proprietários.

A construção da imagem de Camões como herói da pátria

Em 1825, Garrett publica Camões, marco do Romantismo português e da exaltação patriótica do poeta- soldado. A obra reforça o culto camoniano, destaca o escravo Jau e inspira literatura, arte e política. Camões torna-se símbolo eterno de Portugal.

The Inquisition as Legal Innovator

The Inquisition, despite its reputation, introduced key legal innovations for its time—such as standardized procedures, prisoner protections, regulated torture, and house arrest— that helped modernize and humanize judicial systems in Europe.

Que justiça quer construir para sua aldeia? O caso das mulheres Samburu

As experiências no território Samburu mostram como a implementação de um sistema de justiça restaurativa com uma perspectiva de género pode transformar profundamente a realidade de um território inteiro.

Atenção, cuidado!

CRÓNICA

Há mouros na costa!

O fenómeno da escravatura de brancos e católicos no Norte de África desmente a ideia, demasiado simplificada, de que a escravidão moderna foi apenas um fluxo unilateral de africanos para as Américas. A realidade era bem mais complexa e interligada: enquanto Portugal e Espanha participavam activamente no tráfico negreiro atlântico, comunidades inteiras nas suas próprias costas eram vítimas de uma escravização exercida a partir do Magrebe.

Detesto ciclistas

Uma crónica sobre porque é que, nas cidades, se aplaude a morte de um forcado e se exige funeral digno para um caniche, enquanto no campo se enterra o cão no quintal com uma lágrima sincera e no dia seguinte se continua a lavrar.

Madina do Boé…«Aqui Não Havia Messes»

De simbologia é feito o lugar do Boé. Alega-se ter sido aqui o início e o epílogo da guerra colonial da Guiné! Foi onde ocorreu uma das primeiras emboscadas que marcaram o início da luta de libertação do PAIGC e onde o partido de Amílcar Cabral proclama a independência do país, a 24 de Setembro de 1973, embora Portugal só a venha a reconhecer em Setembro de 1974.

Gerontocracias e brigadas do reumático

Em Portugal, quando se pôs termo ao Estado Novo através do golpe militar de Abril de 1974, assistiu-se à substituição de uma elite conservadora, alicerçada militarmente na icónica brigada do reumático, por uma nova casta saída dos ventos do Maio de 68, impregnada de igualitarismo militante, utopismo internacionalista e vocação marxizante.

Filosofia e clássicos.

ARTES VISUAIS

Galeria: Obras de Inês Cannas

Galeria com trabalhos de Inês Cannas (Lisboa, 1967), artista visual que vive e trabalha em Lisboa e frequentou o Curso Avançado de Artes Visuais, Ar.Co – Lisboa, além da Licenciatura em Design, IADE Lisboa.

Matemáticas, demografia, engenharias…

RUBRICA

Galeria: Inéditas armas de Portugal nos Armoriais Medievais estrangeiros

Uma breve galeria com armas de Portugal nos Armoriais Medievais estrangeiros, entre 1380 e 1486.

Uma Narrativa dos assuntos de Portugal após 1383

Uma das Narrativas Desconhecidas, num pergaminho alternativo das Crónicas de Jean Froissart, pelo cavaleiro João Fernandes Pacheco, dos assuntos de Portugal após 1383 [um excerto em muitos].

Da América para o mundo.

John Philip Sousa: O Rei das Marchas e as Suas Raízes Portuguesas

A história da música para bandas não se pode escrever sem mencionar, em letras sonoras e destacadas, o nome de John Philip Sousa, um sinónimo de marchas militares, de desfiles vibrantes, de patriotismo norte- americano em forma de pauta. O compositor de The Stars and Stripes Forever era filho de um madeirense, e essa herança lusitana nunca deixou de o acompanhar.

A Padronização do Tempo

A realidade nasce nas nossas mãos. Se temos dúvidas sobre a existência de algo, esticamos o indicador e tocamos-lhe. A conclusão da experiência fica por sua conta. As nossas mãos parecem, desta forma, ser o berço da realidade. Será mesmo assim?

Sobre a desinformação.

CRÍTICA

Crítica: Fátima (João Canijo, 2017)

O que torna um filme cómico é certas pessoas (o realizador, os actores) fazerem coisas cómicas; e o que torna um filme azul é certas coisas (objectos filmados, a emulsão da película, a iluminação) serem azuis. Um filme religioso não é no entanto o resultado de certas pessoas fazerem coisas religiosas; ou de certos objectos terem a propriedade de ser religiosos. Fátima, de João Canijo, não é, apesar do título, um filme religioso.

Crítica: Abril pelas direitas… foi bonita a festa, pá?, Rodrigo Pereira Coutinho e Paulo Jorge Teixeira

Apesar da produção extensa relativa ao Estado Novo e à transformação política subsequente, a expressão das direitas – liberais e social- democratas à direita, conservadores, reacionários e nacionalistas tradicionalistas – é minoritária nos discursos oficiais e historiográficos. Esta obra tenta colmatar essa hegemonia, reunindo 50 ensaios que capturam as múltiplas vozes e abordagens das direitas portuguesas.

Os funnnies deste mês são dedicados às eleições autárquicas portuguesas.

Retrato de Margarida da Áustria (1480–1530), filha do imperador Maximiliano I e de Maria da Borgonha, foi arquiduquesa de Áustria e regente dos Países Baixos borgonheses, destacando-se como uma das mais influentes mulheres do Renascimento europeu. Viúva três vezes e sem descendência, dedicou-se à governação e à diplomacia, tornando-se uma hábil mediadora entre as grandes potências do seu tempo. Foi também uma notável patrona das artes e das letras: protegeu humanistas como Erasmo de Roterdão, poetas como Jean Lemaire de Belges e músicos como Pierre de La Rue, além de colecionar manuscritos ricamente iluminados e apoiar a pintura flamenga, nomeadamente artistas ligados à tradição de Jan van Eyck e Rogier van der Weyden. A sua corte em Malinas tornou-se um centro cultural vibrante, símbolo do esplendor borgonhês e da síntese entre poder político e mecenato artístico.

Em diante: inquisition as legal innovator, registo internacional de navios, mulheres Samburu, imagem de Camões, detesto ciclistas gerontocracias, Madina do Boé, há mouros na costa, Inês Cannas, John Philip Sousa, padronização do tempo, Portugal nos armoriais estrangeiros, crónicas de Jean Froissart, Fátima de Canijo, abril pelas direitas.

ENSAIO

Registo Internacional de Navios: Portugal, um Novo Atrator Fiscal?

Tal como as pessoas, também os navios necessitam de uma nacionalidade que os identifique. Se para as pessoas a nacionalidade dos progenitores, do cônjuge, o país de nascimento ou país de vivência por um longo período poderão definir a nacionalidade, para os navios, já não é bem assim: a nacionalidade concedida não tem de possuir alguma relação com a nacionalidade ou com o país de residência dos seus proprietários.

A construção da imagem de Camões como herói da pátria

Em 1825, Garrett publica Camões, marco do Romantismo português e da exaltação patriótica do poeta- soldado. A obra reforça o culto camoniano, destaca o escravo Jau e inspira literatura, arte e política.

Camões torna-se símbolo eterno de Portugal.

The Inquisition as Legal Innovator

The Inquisition, despite its reputation, introduced key legal innovations for its time—such as standardized procedures, prisoner protections, regulated torture, and house arrest— that helped modernize and humanize judicial systems in Europe.

Que justiça quer construir para sua aldeia? O caso das mulheres Samburu

As experiências no território Samburu mostram como a implementação de um sistema de justiça restaurativa com uma perspectiva de género pode transformar profundamente a realidade de um território inteiro.

Atenção, cuidado!

CRÓNICA

Há mouros na costa!

O fenómeno da escravatura de brancos e católicos no Norte de África desmente a ideia, demasiado simplificada, de que a escravidão moderna foi apenas um fluxo

unilateral de africanos para as Américas. A realidade era bem mais complexa e interligada: enquanto

Portugal e Espanha participavam activamente no tráfico negreiro atlântico, comunidades inteiras nas suas próprias costas eram vítimas de uma escravização exercida a partir do Magrebe.

Detesto ciclistas

Uma crónica sobre porque é que, nas cidades, se aplaude a morte de um forcado e se exige funeral digno para um caniche, enquanto no campo se enterra o cão no quintal com uma lágrima sincera e no dia seguinte se continua a lavrar.

Madina do Boé…«Aqui Não Havia Messes»

De simbologia é feito o lugar do Boé. Alega-se ter sido aqui o início e o epílogo da guerra colonial da Guiné! Foi onde ocorreu uma das primeiras emboscadas que marcaram o início da luta de libertação do PAIGC e onde o partido de Amílcar Cabral proclama a independência do país, a 24 de Setembro de 1973, embora

Portugal só a venha a reconhecer em Setembro de 1974.

Gerontocracias e brigadas do reumático

Em Portugal, quando se pôs termo ao Estado Novo através do golpe militar de Abril de 1974, assistiu-se à substituição de uma elite conservadora, alicerçada militarmente na icónica brigada do reumático, por uma nova casta saída dos ventos do Maio de 68, impregnada de igualitarismo militante, utopismo internacionalista e vocação marxizante.

Filosofia e clássicos.

ARTES VISUAIS

Galeria: Obras de Inês Cannas

Galeria com trabalhos de Inês Cannas (Lisboa, 1967), artista visual que vive e trabalha em Lisboa e frequentou o Curso Avançado de Artes Visuais, Ar.Co –

Lisboa, além da Licenciatura em Design, IADE Lisboa.

Matemáticas, demografia, engenharias…

RUBRICA

Galeria: Inéditas armas de Portugal nos Armoriais Medievais estrangeiros

Uma breve galeria com armas de Portugal nos Armoriais Medievais estrangeiros, entre 1380 e 1486.

Uma Narrativa dos assuntos de Portugal após 1383

Uma das Narrativas Desconhecidas, num pergaminho alternativo das Crónicas de Jean Froissart, pelo cavaleiro João Fernandes Pacheco, dos assuntos de Portugal após 1383 [um excerto em muitos].

Da América para o mundo.

John Philip Sousa: O Rei das Marchas e as Suas Raízes Portuguesas

A história da música para bandas não se pode escrever sem mencionar, em letras sonoras e destacadas, o nome de John Philip Sousa, um sinónimo de marchas militares, de desfiles vibrantes, de patriotismo norte- americano em forma de pauta. O compositor de The Stars and Stripes Forever era filho de um madeirense, e essa herança lusitana nunca deixou de o acompanhar.

A Padronização do Tempo

A realidade nasce nas nossas mãos. Se temos dúvidas sobre a existência de algo, esticamos o indicador e tocamos-lhe. A conclusão da experiência fica por sua conta. As nossas mãos parecem, desta forma, ser o berço da realidade. Será mesmo assim?

Sobre a desinformação.

CRÍTICA

Crítica: Fátima (João Canijo, 2017)

O que torna um filme cómico é certas pessoas (o realizador, os actores) fazerem coisas cómicas; e o que torna um filme azul é certas coisas (objectos filmados, a emulsão da película, a iluminação) serem azuis. Um filme religioso não é no entanto o resultado de certas pessoas fazerem coisas religiosas; ou de certos objectos terem a propriedade de ser religiosos. Fátima, de João Canijo, não é, apesar do título, um filme religioso.

Crítica: Abril pelas direitas… foi bonita a festa, pá?, Rodrigo Pereira Coutinho e Paulo Jorge Teixeira

Apesar da produção extensa relativa ao Estado Novo e à transformação política subsequente, a expressão das direitas – liberais e social- democratas à direita, conservadores, reacionários e nacionalistas tradicionalistas – é minoritária nos discursos oficiais e historiográficos. Esta obra tenta colmatar essa hegemonia, reunindo 50 ensaios que capturam as múltiplas vozes e abordagens das direitas portuguesas.

Os funnnies deste mês são dedicados às eleições autárquicas portuguesas.

Retrato de Margarida da Áustria (1480–1530), filha do imperador Maximiliano I e de Maria da Borgonha, foi arquiduquesa de Áustria e regente dos Países Baixos borgonheses, destacando-se como uma das mais influentes mulheres do Renascimento europeu. Viúva três vezes e sem descendência, dedicou-se à governação e à diplomacia, tornando-se uma hábil mediadora entre as grandes potências do seu tempo. Foi também uma notável patrona das artes e das letras: protegeu humanistas como Erasmo de Roterdão, poetas como Jean Lemaire de Belges e músicos como Pierre de La Rue, além de colecionar manuscritos ricamente iluminados e apoiar a pintura flamenga, nomeadamente artistas ligados à tradição de Jan van Eyck e Rogier van der Weyden. A sua corte em Malinas tornou-se um centro cultural vibrante, símbolo do esplendor borgonhês e da síntese entre poder político e mecenato artístico.