Lista com todos os Senhores de Portugal desde a presúria de Vímara Peres (868-873) até Mendo Nunes (1043-1044)

A situação parece ser a seguinte. De Mumadona Dias até Mendo Nunes [1044], a sucessão em Portugal é praticamente dinástica. Em 1008, Mendo Gonçalves morre às mãos dos Normandos, facto que se explica pela regência de sua mulher, Tutadona Moniz, seguido da transição para o ramo imediatamente próximo àquela linhagem, com Alvito Nunes [que descende também do Conde de Guimarães Diogo Fernandes e Oneca, estes pais de Mumadona Dias], seguido de Nuno Alvites e Mendo Nunes, até 1044. Neste ano, por intervenção de Fernando Magno, acaba a linhagem vimaranense no território, enquanto gestora da mesma. O que claramente se nota é a transição do sangue para o oficialato público, com o estranho regime triunviral, que dura até 1064. Os seus próceres não eram Portucalenses ou, se eram, não pertenciam à linhagem que antes dominava. O ano não é coincidência: Fernando Magno, conquistando Coimbra, coloca a governar nela um seu subordinado igualmente [Sesnando Davides]. Nesse mesmo ano, sabemos que Fernando Magno coloca Sesnando como inquiridor em Santa Maria que, na teoria, pertenceria ao prócere de Portugal de então, Diogo Trotosendes, que não ficou propriamente contente com a situação. Diogo Trotosendes pega em armas contra Sesnando e, em retaliação, ambos Fernando Magno e o Bispo de Compostela coordenam a extinção do triunvirato e a queda de Diogo Sabemos igualmente que Sesnando avança para Norte. Há ainda um rebelde, até 1065, chamado Mendo Gonçalves II. Fernando Magno vai depender muito de Coimbra, e não é coincidência o facto de D. Teresa ir buscar cavaleiros conimbricenses para combater o filho. Coimbra era a Província rebelde de Portugal. Aquando de ±990, o Dux Magnus de Portugal, Gonçalo Mendes, subjuga Coimbra. Com ela, o seu governador de então, que eu presumo ser Rodrigo Gonçalves, filho do Conde Gonçalo Moniz de Coimbra. Há uma guerra por essa altura entre Gonçalo Mendes e os filhos de Gonçalo Moniz – um deles, Froila Gonçalves, aliou-se a Almançor contra o Dux; Rodrigo alia-se a Froila. O outro, Monio Gonçalves, apaziguou-se com Gonçalo Mendes. Facto é que Coimbra deixou de ser Condado, e andava a ferver desde essa altura. O novo oficialato público de Portugal também daí provem. Em 1065, morre Fernando Magno e, na Galiza, sucede Garcia. Não era apreciado em Portugal, uniu-se a Sesnando Davides para reforçar ali a sua autoridade, como fizera o pai. Em retaliação, o teórico sucessor do Dux Magnus Mendo Nunes, chamado Nuno Mendes de Tibães [que nunca foi Dux Magnus, não acreditem na wikipedia], pega em armas contra Garcia da Galiza, perde na Batalha de Pedroso em 1071, morre. Quando D. Afonso VI, com a guerra no Norte, ganha a Galiza, coloca em Portugal um seu homem, Paio Guterres, que governa até 1093/4. Neste contexto, chega Raimundo e chega Henrique. Quando casa com D. Teresa, ganha a hereditas de Portugal, a quem D. Afonso VI deu as terras no limiar atlântico da Península. De resto, há uma aliança mediata entre a nobreza vimaranense e o Conde D. Henrique – não comparece nas Cortes de Leão, arma guerra contra a Galiza. Parece que D. Afonso VII concede, a título de feudo, Portugal aos galegos, com os Trava à cabeça. Enquanto isso, o nosso Santo Rei era educado [presume-se que leccionado do ambiente em voga] por Egas Moniz. Pode haver causa-efeito entre a repugnância de D. Afonso VII em reconhecer D. Teresa como herdeira da Galiza com o conflito naquelas terras, encaminhada pelos nossos. De qualquer das formas, há uma aliança galego-leoneso-conimbricence, com Diego Gelmirez, Afonso Raimundes e a cavalaria de Coimbra, contra os direitos de D. Teresa, pressionam Portugal, ocorre S. Mamede. Não há tratado que infira no direito da Galiza por Portugal. Parece-me ser pouco mais ou menos isto.

E creio que, com os dados que fui juntando, consegui encontrar todos os Senhores de Portugal desde a presúria de Vímara Peres. Ora vejam:

  • Vímara Peres – 868-873
  • Lucídio Vimaranis – pouquíssimo tempo, c. 875
  • Guterre Rodrigues – até c. 878, já possui Coimbra a título provisório.
  • Hermenegildo Guterres – 878-907
  • Árias Mendes – só de Portucale, 907-908 [vai para Leão]
  • Guterre Mendes – 907-908 [só de Coimbra], 908-920? [governo unitário Portucal-Coimbra]
  • Diogo Fernandes – 920?-926
  • Regência de Onecca, Condessa de Guimarães e mulher de Diogo Fernandes – 926-c.943
  • Mumadona Dias [filha daqueles] – 943-950 (o esposo, Hermenegildo Gonçalves, morrera em 943)
  • Gonçalo Mendes – 950-997
  • Mendo Gonçalves – 997-1008 [morto pelos Normandos]
  • Regência breve de D. Tutadona Moniz, esposa de Mendo Gonçalves – 1008-c.1009/1010 [quebra de linhagem imediata]
  • Alvito Nunes, descendente de Vímara Peres por outra linhagem – 1010-1016 [morto pelos Normandos]
  • Nuno Alvites – 1016-1028
  • Regência da esposa deste, D. Ilduara Mendes – 1028-1043, em. governo conjunto com o filho Mendo Nunes
  • Mendo Nunes [de facto] – 1043-1044

Em 1044, quebra-se a dinastia pelas reformas administrativas de Fernando Magno, transição da Nobreza Condal para uma Senhorial, alguma Portucalense, mas principalmente Leonesa.

  • Período de triunvirato (até 1064, conquista de Coimbra, datas indeterminadas):
  • Guterre Afonso – Rodrigo Gonçalves – ?
  • Gomes Eicaz – Mendo Gonçalves – Godinho Viegas
  • Godinho Viegas – Eirigo Esposendes – Martinho Sandines
  • Diogo Troitosendes – Sisnando Anes – Telo Teles

Quanto a esta última, sabemos que ocorrera nos anos imediatamente anteriores e subsequentes a 1064, pois Sesnando Davides de Coimbra coliga-se com Fernando Magno contra Diogo Troitosendes, que se revoltara. Diogo perde, mas os outros membros aparentemente mantiveram-se.

Em 1071, o descendente da linhagem dos Condes de Guimarães, Nuno Mendes de Tibães, morre em Pedroso. Ele nunca governou Portugal, mas era muito útil saber que nobres estavam do lado de Garcia da Galiza, para continuar a cronologia. Até lá, é isto que tenho.

Muito importante de sublinhar que a filha de Nuno Mendes, Loba Nunes, era casada com Sesnando Davides, o que leva a crer ter sido uma política matrimonial de Fernando Magno para acalmar a Nobreza Portucalense, ou então o casamento foi posterior à morte de Nuno Mendes.