Sugestões de Leitura: Novidades na Filosofia, Março 2026

Com algum atraso na periodicidade que pretendemos, trazemos mais uma vez novidades no mercado editorial da filosofia em Março de 2026. Começamos por Roy Scranton, em Impasse: Climate Change and the Limits of Progress (Stanford University Press, 2025), que argumenta que a fé dogmática no progresso humano é perigosa e ilusória diante da crise climática, propondo um pessimismo ético realista como ferramenta para enfrentar o impasse civilizacional intransponível, marcado por limites cognitivos, existenciais e narrativos. Vanessa de Harven, em The Unity of Stoic Metaphysics: Everything is Something (Oxford University Press), oferece uma análise abrangente e unificada da metafísica estoica antiga, defendendo que os estoicos constroem uma ontologia tripartite sofisticada — corpos, incorpóreos e o que não é nem um nem outro — centrada no conceito de “algo” (ti) como gênero supremo, respondendo a desafios platônicos e garantindo coerência ontológica. Thomas Hofweber, em Idealism and the Harmony of Thought and Reality (Oxford University Press, 2023), defende uma forma de idealismo em que as mentes humanas restringem, mas não constroem, a realidade como totalidade de fatos, baseando-se em argumentos linguísticos sobre a harmonia íntima entre pensamento e realidade para superar o realismo tradicional. Por fim, Jens Andermann, Gabriel Giorgi e Victoria Saramago organizam o Handbook of Latin American Environmental Aesthetics (De Gruyter, 2023), uma coletânea abrangente que explora a produção estética e conceitual latino-americana sobre questões ambientais, destacando contribuições interdisciplinares em literatura, arte, teoria decolonial e estudos indígenas para compreender as relações entre humanos, natureza e crise ecológica na região.

Depois, temos Owen Flanagan, em What is it Like to Be an Addict? (Oxford University Press, 2025), que investiga a experiência subjetiva e as dimensões éticas da dependência química, combinando neurociência, filosofia e relatos pessoais para propor uma abordagem humana e responsável ao vício, enfatizando a agência do indivíduo sem reforçar estigmas. Scott Soames, em The Analytic Tradition in Philosophy Volume 3: The Struggle for Modality (Princeton University Press, 2025), continua sua história definitiva da tradição analítica, focando na evolução do conceito de modalidade — necessidade, possibilidade e essência — desde o final do século XIX até o fim do XX, destacando disputas centrais que culminam na aceitação da modalidade metafísica. Michael McKenna, em Responsibility and Desert (Oxford University Press), desenvolve uma teoria conversacional da responsabilidade moral, ancorada no conceito de merecimento (desert) básico como fundamento normativo para culpa e punição, entendendo o blame como resposta significativa e avaliando o merecimento em termos axiológicos para justificar práticas punitivas. Por sua vez, Ross Mittiga, em Climate Change as Political Catastrophe: Before Collapse (Oxford University Press, 2024), sustenta que as mudanças climáticas representam uma catástrofe política iminente, ao ameaçar a escassez material extrema que compromete as condições de justiça, legitimidade e estabilidade política, urgindo ações preventivas antes do colapso total.