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Explicação de um Povoado Medieval pela Imagem

Explicação de um Povoado Medieval pela Imagem.

• O que é isto?

• De onde é retirado?

• Que aspetos contém?

• Qual a importância destes?

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Defronte a nós, temos uma pintura. Ou melhor: uma pintura em um conjunto de pinturas. Na Era de 1502, D. Manuel ordena um seu particular, Duarte de Armas, que passasse pela fronteira do Reino, desenhando as suas respetivas Fortalezas, para que o Rei averiguasse o que precisava ser concertado ou não. Na Era de 1503, o resultado foi este: a publicação de uma obra, chamada “Livro das Fortalezas”, que contém uma quantidade satisfatória de Fortalezas do Reino, desde o Algarve até Viana. Esta publicação tem o intuito particular de analisar um dos exemplos desses desenhos, com uma análise concisa dos seus atributos.

• Que Povoado é este? Se não existisse a nomeação explicitada pelo autor, teríamos de analisar os arredores e coincidí-los num Povoado contemporâneo. Não é necessária tamanha complicação. Vemos, no…

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…canto à esquerda, um Povoado próximo ao que estamos a analisar e, além de conter a Bandeira de Castela [como se vê acima], tem o seu nome escrito – Badajoz. Logo, este Povoado está nas bandas daquela terra. E no centro, o que diz? A imagem está desfocada, mas pode parecer…

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…difícil de ler, mesmo se a não estivesse. A esquemática é simples: a terra desenhada está sempre nomeada na primeira ou primeiras palavras da frase. Neste caso, é só numa – Olivença. O restante diz o seguinte – “tirado naturall da banda do Norte”. O que quer dizer isto? Quer dizer que o desenho foi pintado do lado Norte da Fortaleza. Cada Fortaleza, nesta obra, foi pintada sob duas perspetivas diferentes, por isso o Autor clarificou de que lado cada uma era feita. Neste caso, do Norte, de frente para as bandas de Castela. Agora, passemos para uma análise geral da Imagem. À partida, reparamos logo no Castelo. A grande muralha que vêem diante do Povoado era chamada de “Medina”. A parte de dentro da Fortaleza que continha as casas das gentes chamava-se, pois, a “Almedina”. Repararam nesta linha preta um pouco…

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…abaixo das ameias do Castelo [aquelas elevações quadrangulares com espaços entre cada uma]? Chamava-se “Adarve”, e era a região por onde os homens de guerra se dirigiam, para a vigilância e para atacar um inimigo. Era um corredor que corria todo o perímetro da Muralha, e era acessível a partir de uma escada de pedra com madeira encaixada, que aqui não conseguimos ver. A “Medina” [ou “Castelejo”] era meramente a Fortaleza que rodeava o núcleo populacional – isso, porque existia outra camada de Muralhas, que protegia a região fortuita do Castelo. A região que vêem abaixo – no interior, chama-se a “Praça d’Armas”, pois era o local onde os grandes da Praça se reuniam para ordenar algo à Guerra relacionado. A Muralha que rodeava a Praça d’Armas chamava-se a “Alcáçova”, e era a moradia do Senhor, do Alcaide da…

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…Fortaleza. Repare-se, nem sempre o Alcaide vivia no Castelo aqui desenhado. Muitas vezes, vivia num Paço mandado construir por ele, rente ao chão. Aqui, como não vemos o Paço, é difícil perceber onde vivia, mas o cimo das Torres não tem telhado, que é uma marca de análise, que pode corroborar o Castelo como habitação. Aquilo que aqui vemos abaixo, a maior das Torres, era o que antigamente se considerava a residência do Alcaide, a mais protegida. Chamava-se “Torreão” ou “Torre de Menagem”, sendo este “Menagem” uma antiga forma de dizer…

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…”Homenagem”, com relação à Vassalagem [a Homenagem] que um homem prestava diante do seu Senhor. Retomando à “Alcáçova”, existia, embora não podendo ver nesta imagem, algumas coisas que frequentemente uma Alcáçova tinha – uma “Porta dos Pecados”, por onde os criminosos eram retirados do Povoado, além de “Portas Falsas”, para manobrar os sitiantes da Fortaleza, além, claro, de uma Porta verdadeira, por onde o Alcaide pudesse sair em casos extraordinários. Repare-se, os corredores que ligavam estas Portas ao interior da Muralha eram curvos e oblíquos justamente para impedir a penetração fácil dos sitiantes. Ora, existiam corredores internos dentro das Muralhas? Sim, pois a muralha era grossa, longa [justamente para criar o “Adarve”] e necessária para criar pujança à mesma. As Muralhas Portuguesas, entre as camadas interna e externa, continham sedimentos de areia ou outro entulho vário, para criar uma fortificação compacta e não oca – além, claro, de existir uma Porta Principal na Medina, que aqui não vemos, induzindo que essa Porta está do lado do Sul. O que vemos também de grandioso, a par deste Castelo? Está igualmente escrito ao lado o que ela seria – e é algo novo para a época, o que demonstra a importância desta particular Fortaleza, no contexto geral: “Relógio”, é o que diz. Esta é a Torre do Relógio, e vêem o sino no interior, que…

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…tangia às horas certas. Outro aspeto de importante menção: as quatro torres [nesta imagem vemos duas, mas a imagem da banda do Sul mostra outras duas], respeitosamente distanciadas da Muralha. Que são? As “atalayas”, torres de vigia e de observação. Nem todos os Povoados…

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…tinham duas Atalaias, quanto mais quatro. Variaria mediante a necessidade – e sendo Olivença fronteiriça de Castela, não admira que fosse um dos Povoados que mais tinha Atalaias. Reparem no local alto onde se localizam, claramente estratégico, para a análise de grandes panoramas. Agora vejamos outras efemérides: estes tracejados nas montanhas não são de mera estética – querem ilustrar estradas, na altura de terra batida. Como podemos induzir isso? Por duas coisas: 1° – há um destes tracejados diretamente ligados à Capela local, no canto…

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…direito; 2° – a estrada do canto esquerdo está diretamente ligada àqueles homens que se dirigem para a Fortaleza. Que homens são estes? Bem, estão de costas, não podemos averiguar com total precisão, mas podemos induzir o que sejam: “Almocreves”, homens que locomoviam-se de…

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…terra em terra para vender mercadorias várias – eram vendedores ambulantes, assim digamos. Têm uma lança, estão a cavalo, e têm uma “Coifa” na cabeça [peça de armadura amortecedora, por onde se colocava o elmo em cima]. Agora, uma breve explicação das casas. Vemos de duas…

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…tipologias: de dois andares, ou de um andar. Ademais, com outro tipo de categoria: os telhados. As casas que vêem quadrangulares, têm geralmente de colmo, que normalmente coincidem com as casas terreiras de um andar [por isso é que se chama “Piso Térreo”, porque é de terra]…

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…As que vêem de clivagem triangular em cima, são geralmente de telha. As casas de dois andares têm frequentemente estes. Já agora, além do já dito “Piso Térreo”, estas têm o segundo piso, chamado “Piso Sobradado” [pois é sobrado, madeira]. Adicione-se: estas casas, fora das muralhas, estão numa região com uma designação distinta. É o “Arrabalde”, todas as regiões próximas das muralhas, estando fora delas. A região onde está a Muralha e, consequentemente, onde está o Órgão de Poder, chama-se “Urbe”. E, no território além dos Arrabaldes, mais longínquos, mas que ainda pertencem à Urbe, chamam-se os “Termos”, onde normalmente estariam os terrenos de cultivo, as matas inexploradas e os terrenos incultos.

Há muito mais a dizer mas, como a explicação deve ser introdutória, fiemo-nos nestas temáticas gerais, para o conhecimento geral.