A invasão de 2022 expôs a dependência europeia do gás russo (45% em 2021). Poupança, novos fornecedores e gás liquefeito fizeram a quota cair para 12% em 2025, sem falhas de abastecimento. A crise acelerou a transição energética, apesar da inflação e de novas dependências.
Sobre o poema neolatino «SYLVAE» de Diogo Pires (Didacus Pyrrhus Lusitanus), elegia fúnebre a Silva, morto em Alcácer-Quibir (1578). Analisa o patriotismo do humanista judeu exilado, o lamento pela pátria em declínio e o paralelismo entre a morte do amigo e a crise dinástica portuguesa.
Sobre como o Despotismo Esclarecido do séc. XVIII juntou o poder absoluto com as ideias iluministas. Catarina II modernizou a Rússia e cortejou Diderot, Voltaire e Grimm, mas limitou as reformas para preservar a autoridade e a nobreza. Aqui lemos nessa relação as contradições do movimento.
A Língu Maquista (patoá), crioulo ásio-português de Macau desde 1553, foi vernáculo até meados do séc. XX, mas sem política de ensino e gestão, o Estado português acelerou o seu declínio. Este estudo traça essa história e liga a língua à identidade macaense.
Onde se analisa o racionalismo no pensamento de Carl Schmitt na década de 1920 e se argumenta que o autor refuta o racionalismo naturalista e suas ramificações (liberal e marxista) por incompatibilidade com o político, a soberania e a representação, reabilitando um racionalismo católico teológico-institucional como adequado à sua teoria.
Com uma notável obra elaborada ao longo da segunda metade do século XIX, Eça de Queiroz consagrou-se como um dos escritores que caracterizaram a época e, consequentemente, o rumo da literatura portuguesa. Aqui discutimos os trâmites das diversas camadas sociais abordados pelo autor através da análise de alguns contos da sua autoria.
Ensaio metodológico sobre um caso de 1781 em que uma criança nascida fora do casamento se tornou legítima porque os pais se casaram depois (legitimação por subsequente matrimónio). Através do cruzamento de datas em registos paroquiais, discute-se a prova indireta, o acaso na investigação e a posição do investigador-descendente.
Sobre a transcendência na cultura ocidental (filosofia grega, ius romanum, revelação cristã) comum a Portugal e Brasil. Destaca-se a universidade medieval, dignidade do labor intelectual hierárquico vs. materialismo igualitário, e o papel das ideias na sociedade e no bem comum.
A reacção à montagem gerada por inteligência artificial envolvendo as autoras do podcast Lei da Paridade não alterou o essencial do que escrevemos. A peça pertence à tradição da caricatura. Não induz o espectador em erro. E as normas pensadas para deepfakes íntimos não se aplicam a um conteúdo tão inócuo.
Leitura de Dias Perfeitos (2023), de Wim Wenders, como paradoxo: serenidade zen e disciplina do olhar que recusa produtividade, mas também paz possivelmente privilegiada e individual. Wenders dignifica o ritual de Hirayama sem resolver se essa beleza resiste ao capital ou só o torna habitável.
Há histórias que parecem retiradas de um romance. Esta é uma delas. Durante cerca de um ano, um pequeno grupo entrou regularmente no Panteão de Paris, com ferramentas, peças e materiais, até conseguir restaurar um relógio monumental imóvel há décadas. Fizeram-no sem autorização, sem financiamento e sem procurar reconhecimento público.
Sobre Maria Amália Vaz de Carvalho (Lisboa, 1847-1921), escritora prolífica de poesia, contos, ensaios e lit. infantil. Defensora da educação feminina, publicou 25 obras e foi a 1.ª mulher na Academia das Ciências de Lisboa (1912), influente em Portugal e no Brasil.
Metafiction in video games evolved from playful fourth-wall breaks in 1980s titles like Zork and StarTropics to profound self-referential loops in Space Quest III/IV and ontological twists in Monkey Island 2. We explore how interactivity amplifies self-awareness across decades, turning players into co-authors of the deconstruction in classics and modern experiments alike.
A Língu Maquista (patoá), crioulo ásio-português de Macau desde 1553, foi vernáculo até meados do séc. XX, mas sem política de ensino e gestão, o Estado português acelerou o seu declínio. Este estudo traça essa história e liga a língua à identidade macaense.
Galeria de fotografia urbana em Lisboa que vê a cidade como um palco acidental onde figuram composições artísticas inesperadas resultantes da união de elementos díspares.
Galeria com fotografias de Ana Vieira Vicente ilustrando frontispícios da paisagem etnográfica rural ribatejana, com breves textos romanceados inspirados nas imagens.
Athina Koumparouli apresenta na Manifesta 16 Ruhr (igrejas abandonadas do Ruhr) duas obras: All the Views I Can’t Remember (fragmentos de vidro reorganizados) e Dead Natures / New Entities (escavações e plantas em cobre). Explora memória, matéria e transformação. Até 4 out 2026, Kulturkirche Liebfrauen, Duisburg.
Quatro séries temáticas da autoria do artista André M.C. Correia, com obra inspirada pela arquitectura, cinema, viagens e quotidiano urbano, que explora a atmosfera, a memória e a carga emocional de espaços imaginários através de narrativas visuais de carácter onírico.
Galeria fotográfica com alguns aspectos da vida piscatória chinesa e da paisagística geral na localidade do Porto Interior de Macau, em 1964, captados por uma lente amadora.
Onde se criticam as noções cartesianas de ideias claras e distintas e se propõe a concepção de um objecto como os efeitos práticos que possa ter. A crença é um hábito de acção; a realidade, o que a investigação acabará por estabelecer. Texto de Charles Sanders Pierce, 1878, de introdução à filosofia do pragmatismo.
O Iluminismo é a saída do homem da menoridade de que ele próprio é culpado: a incapacidade de se servir do entendimento sem a direcção de outrem. A liberdade de uso individual mas público da razão é a condição essencial para o seu progresso. Texto de Immanuel Kant, 1784.
Os princípios masculino e feminino radicam na natureza: o feminino como ciclo, mistério e matriz telúrica; o masculino como projecção, fuga e construção. Arte e civilização surgem desta tensão primordial — edificações defensivas, elas próprias determinadas pela força natural que as gera e constantemente ameaça. Excertos de Camille Paglia, 1990.
Freud lembra-nos como a aproximação das mucosas dos lábios em forma de beijo está tão distante do objectivo sexual normal da cópula como o uso de outras partes do corpo, concluindo-se que todas as perversões são relativas; excertos de Três Ensaios para a Teoria da Sexualidade, 1914.
Em “Do Uso do Conhecimento na Sociedade” (1945), Hayek desmonta a falácia do planeamento económico centralizado, explicando como o conhecimento do valor material, disperso por milhões de mentes, só é transmitido eficientemente pelo sistema de preços livres e como qualquer sistema que ignore isso está condenado a falhar.
Neste pequeno artigo analisam-se alguns pontos que parecem fundamentais para compreender a ideia de belo enquanto algo transgressor, uma força que brota do negativo, tendo por base o livro A Salvação do Belo, do sul-coreano Byung-Chul Han.
Não é esclarecedor chamar à produção do álbum inacabado Smile, dos Beach Boys, de labiríntica ou inconcebível de ser finalizada. Muitos alinhamentos hipotéticos serviriam como conclusão; não devemos confundir falhanço contingente com a noção de obra impossível, que Smile não é.
Desde o advento do comediante Ricardo A. Pereira no entretenimento nacional que corre a ideia de que, além da comédia, é uma figura de gabarito intelectual superior, conhecedor da alta cultura, e dono de uma inteligência fora do alcance do português comum. É bem provável que isto esteja muito longe da verdade.
A estética sempre foi considerada como é tida hoje: apesar de usar termos diferentes, não alterava o seu significado da contemplação do Belo, uma transformação dos elementos alcançáveis através da intuição, da compreensão do Belo, da arte e depois da intuição do interior.
Um divertidissimo trabalho de Pedro Brito, de 2024, voltando a abordar o primeiro-ministro Luís Montenegro e o carácter simpaticamente rural que alguns lhe atribuem.
A curta-metragem de duração generosa – quase 30 minutos – “A Febre de Maria João” (2023; produção da responsabilidade de Maria & Mayer, Lda.) aponta um caminho curioso para o cinema português: simultaneamente estranho e conhecido, desconfortável e cómodo.
No contexto da Segunda Guerra Mundial, a Madeira, apesar de não possuir recursos naturais extraordinários, seria um local ideal para uma base aeronaval, o que levou a que os respetivos Estados-maiores das potências em conflito desenvolvessem planos de invasão e ocupação da ilha da Madeira.
Leia este texto e divirta-se muito a lê-lo. Leia cada uma das letras como quem observa a mais linda das paramécias ao microscópio. Reflita sobre a nossa intenção na escolha de cada uma das palavras. Encare o conjunto de frases como quem encara um estereograma.
O lugar (ou não lugar) do ciberespaço apresenta características dinâmicas e semelhantes às de um desafiante e perturbador itinerário labiríntico: um trajeto em transformação, sem um centro único, que avança num emaranhado de possibilidades que pode significar, entre outras coisas, a perda de individualidade.
Litoral e interior, celulose, e-sports, japão, 25 Abril (correcções, desenhos, jornalismo, analogias), o eros de Bataille, coméstica, psicomúsica, relojoaria, mutantes, neologismos irritantes e mais.
Three obscure and interesting musical itens: ethereal and mysterious sounds from a Japanese duo, a jazz power-trio and delicate and transgressive synth-pop also from Japan.
Nota editorial de celebração dos cinquenta anos da Revolução de 1974, com correcções históricas, a constatação de que ninguém celebra Abril, a comunicação social, homenagem aos regimes antecedentes, como democracia não significa socialismo, música de intervenção, liberdade académica, monumentos, entre outras coisas.
25 desenhos do artista plástico Rui Cavaleiro para celebrar os cinquenta anos da revolução de Abril de 1974 que instaurou a democracia liberal em Portugal.
É fundamental reconhecer uma abordagem particular de leitura para o poema Ode Marítima, de Álvaro de Campos, que não pretenda ser um método definitivo: o estudo de poesia exige aventurar-se além dos limites do que já se sabe sobre o próprio poema.